O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do banco central da Letônia, Martins Kazaks, afirmou nesta segunda-feira que os riscos para a inflação da zona do euro seguem inclinados para cima, em meio à persistência do conflito no Oriente Médio e aos preços elevados do petróleo. Em publicação no blog do Banco da Letônia, o dirigente destacou que a autoridade monetária permanece pronta para promover novos ajustes nos juros, se necessário, mas indicou que o processo pode ocorrer de forma gradual.
Segundo Kazaks, a continuidade da guerra no Oriente Médio e as interrupções nas cadeias de suprimentos aumentam a probabilidade de que os preços da energia permaneçam elevados por mais tempo, o que pode ampliar a persistência inflacionária na região. "Os riscos para a inflação permanecem para cima", escreveu. O dirigente também alertou para a possibilidade de efeitos de segunda ordem mais adiante, especialmente em um mercado de trabalho que segue relativamente apertado.
Na última quinta-feira, o BCE elevou suas taxas de juros em 25 pontos-base. Kazaks avaliou que esse ritmo de aperto é "apropriado e robusto" diante dos diferentes cenários possíveis para a economia. Segundo ele, a evolução relativamente gradual dos preços do petróleo e a boa transmissão da política monetária permitem que o banco central ajuste os juros de maneira medida.
O dirigente ressaltou ainda que o BCE continua bem posicionado para responder a novos choques inflacionários e reiterou que a instituição está preparada para agir novamente caso as pressões sobre os preços se intensifiquem. Ao mesmo tempo, sinalizou preferência por uma abordagem cautelosa, afirmando que a autoridade monetária pode avançar de forma gradual enquanto monitora os dados econômicos.
Kazaks também reforçou o compromisso do BCE com decisões dependentes dos indicadores e tomadas reunião a reunião, sem um caminho pré-definido para os juros. "Cada reunião é uma reunião em aberto", afirmou, acrescentando que a flexibilidade será essencial para garantir o retorno da inflação à meta de 2% no médio prazo. Enquanto vê riscos inflacionários em alta, o dirigente avaliou que os riscos para o crescimento econômico da zona do euro permanecem voltados para baixo.