Tarifas dos EUA podem atingir mais da metade das exportações brasileiras

Estudo da CNI alerta para impactos em setores estratégicos e aumento dos custos para empresas

15/06/2026 às 13:49 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
:

 

A possível adoção de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos pode afetar significativamente as exportações brasileiras. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 35,2% dos produtos enviados pelo Brasil ao mercado norte-americano ficariam sujeitos às novas cobranças caso a proposta avance.

Pelos cálculos da entidade, 31,6% das exportações brasileiras passariam a enfrentar uma tarifa de 37,5%, bem acima dos atuais 10%. Outros 3,6% dos embarques teriam a taxação elevada para 12,5%.

Quando somadas às medidas setoriais já aplicadas pelos Estados Unidos, mais da metade das exportações brasileiras — cerca de 54,1% — poderá sofrer algum tipo de sobretaxa.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, afirma que a medida tende a gerar efeitos negativos para empresas dos dois países. Segundo ele, o aumento das tarifas pode elevar custos, reduzir a competitividade dos produtos e criar um ambiente de maior incerteza para investimentos.

Entre os itens que podem enfrentar a tarifa mais elevada, de 37,5%, estão o ferro gusa não ligado, açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível, álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho. O ferro gusa merece atenção especial, já que movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024.

Já os produtos que poderão ser tributados em 12,5% incluem minério de ferro e concentrados, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja, silício e pasta química de madeira utilizada em processos industriais.

O estudo da CNI leva em consideração as listas de exceções divulgadas pelo United States Trade Representative e mantém fora do cálculo os produtos já enquadrados nas medidas da Seção 232 da legislação comercial norte-americana.

A discussão sobre as novas tarifas segue em andamento. Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para ouvir empresas, entidades e governos interessados, além de receber contribuições por escrito.

Para a CNI, essa etapa representa uma oportunidade para o Brasil apresentar argumentos técnicos e reforçar que as medidas podem prejudicar a relação comercial entre os dois países, além de trazer impactos para cadeias produtivas dos dois lados.

 

Fonte: Estadão


Últimas Notícias

Whatsapp