BrasilAgro reverte prejuízo e lucra R$ 81,3 milhões no 1º tri 2026/27

04/11/2026 às 12:13 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão | Siga-nos no Google News
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São Paulo, 4 - A BrasilAgro registrou lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do ano-safra 2026/27, encerrado em 30 de setembro, ante prejuízo de R$ 64,3 milhões em igual período do ciclo anterior. O resultado foi favorecido pela venda de parte de uma fazenda na Bahia e pela valorização das parcelas que a companhia tem a receber de compradores de propriedades rurais. Na operação agrícola, porém, as margens de soja e milho diminuíram. A receita líquida total cresceu 16%, para R$ 351,7 milhões, enquanto o Ebitda ajustado operacional, que exclui o efeito da venda de fazendas, caiu 32%, para R$ 43,8 milhões. O Ebitda ajustado total, por sua vez, avançou 47%, para R$ 94,6 milhões. A venda de 2,593 mil hectares da Fazenda Rio do Meio, em Correntina (BA), gerou ganho de R$ 50,8 milhões. Em entrevista, o CEO da companhia, André Guillaumon, disse que a falta de vendas relevantes no exercício anterior havia pesado no balanço. "No ano passado, o nosso resultado foi bastante prejudicado por não ter tido venda. Do lado agrícola, não houve grandes alterações, mas já começa a haver uma recuperação", afirmou. A diversificação geográfica, adotada para distribuir os riscos climáticos, também favorece a negociação das propriedades, segundo ele. "Eu vejo muita liquidez na Bahia e não vejo tanta liquidez em Mato Grosso", completou. A receita líquida operacional, que exclui a venda de fazendas, ficou em R$ 300,9 milhões, queda de 1%. Segundo a companhia, cerca de dois terços da queda do Ebitda ajustado operacional decorreram da mudança no resultado com derivativos, contratos usados para proteger preços, que passou de ganho de R$ 9,6 milhões para perda de R$ 3,4 milhões. Também pesaram o aumento de outras despesas operacionais e a menor contribuição das margens de soja e milho. Na soja, a receita caiu 7%, para R$ 112,1 milhões, com redução de 13% no volume faturado. O preço médio subiu 7%, mas o custo por tonelada avançou 13%, influenciado por baixas decorrentes de ajustes de qualidade dos estoques da safra 2025/26. A margem bruta passou de 30% para 27%. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da BrasilAgro, Gustavo Lopez, disse que a empresa manteve soja em estoque e vendeu cerca de 50 mil toneladas durante a alta do preço, com resultado de quase R$ 6 milhões. "Foi uma boa estratégia manter esse produto em estoque", afirmou. No milho, o volume faturado quase triplicou, e a receita passou de R$ 19,5 milhões para R$ 55,2 milhões. A margem bruta, porém, caiu de 20% para 2%, pressionada pelo avanço de 17% no custo por tonelada e pela queda de 4% no preço médio. Segundo a empresa, cerca de 45% do volume comercializado foi afetado por custos maiores de colheita, decorrentes de perdas relacionadas a ataques de porcos. A cana-de-açúcar teve receita de R$ 116,3 milhões, queda de 10%, mas a margem bruta subiu de 14% para 17%, com a redução do custo unitário. No algodão em pluma, a receita caiu 50%, para R$ 8,3 milhões, e a margem ficou negativa em 2%, ante margem negativa de 16% um ano antes. O resultado financeiro passou de negativo em R$ 40,1 milhões para positivo em R$ 37,6 milhões. A alta da soja na Bolsa de Chicago, referência internacional para os preços do grão, aumentou o valor das parcelas de vendas de fazendas vinculadas ao produto, e a reavaliação desses valores a receber rendeu ganho de R$ 60,9 milhões, ante perda de R$ 54,9 milhões. Lopez resumiu: "O principal efeito deste trimestre é tudo o que aconteceu com a soja". As despesas com juros subiram 10%, para R$ 24,8 milhões, em razão do maior saldo médio de dívida. A dívida líquida ajustada, que desconta do endividamento o caixa e os valores a receber por vendas de fazendas, caiu 51% ante junho, para R$ 136,3 milhões. O valor equivale a 1,05 vez o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. A companhia encerrou setembro com R$ 626,2 milhões a receber por vendas de propriedades e pagará R$ 30 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,3012 por ação, a partir de 16 de novembro.

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