A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Dallas, Lorie Logan, afirmou nesta sexta-feira, 30, que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) ainda precisa elevar os juros em pelo menos duas ocasiões, com aumentos de 25 pontos-base (pb) cada, para conter a inflação. Em discurso a estudantes do Davidson College, a dirigente defendeu uma pausa após esses ajustes para avaliar a necessidade de novas medidas.
"Continua claro para mim, diante das perspectivas atuais, que o Fomc precisa implementar pelo menos mais dois aumentos de 25 pb", declarou Logan.
Segundo ela, o objetivo é tornar a política monetária "moderadamente restritiva", de modo a assegurar o máximo emprego e a estabilidade de preços. A dirigente estimou que os juros atuais estejam pelo menos 50 pb abaixo do nível necessário para começar a trazer a inflação de volta à meta.
A dirigente, que votou pela manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4,00% nesta semana, avaliou que a decisão de interromper temporariamente o aperto não altera seu destino. Para Logan, uma abordagem mais gradual permite que famílias, empresas e investidores se adaptem às taxas mais altas, reduzindo o risco de deterioração excessiva da atividade.
Logan destacou que a economia americana apresenta crescimento forte, sustentado pelo consumo e pelos investimentos empresariais. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece equilibrado e pode estar "um pouco mais aquecido", embora as empresas demonstrem resistência tanto para contratar quanto para demitir funcionários.
No campo inflacionário, a dirigente classificou como "inaceitável" o fato de o Fed não atingir sua meta de 2% há quase seis anos. Ela ressaltou que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) avançou 3,1% nos 12 meses até setembro, com pressões disseminadas por bens e serviços.
Logan avaliou ainda que as condições financeiras continuam impulsionando a economia, apesar da alta de quase 1 ponto porcentual nos rendimentos dos Treasuries de dez anos em 2026.
Segundo ela, os juros de longo prazo mais elevados não representam um entrave tão grande à atividade quanto se poderia esperar, uma vez que refletem principalmente expectativas de crescimento nominal mais forte e de uma taxa neutra maior.