A Kering afirmou, em balanço divulgado na quinta-feira, 22, que suas vendas foram impactadas por um mercado de luxo desafiador no trimestre mais recente, enquanto o grupo parisiense busca recuperar o ritmo de suas marcas. A dona de Gucci, Bottega Veneta e outras grifes de alto padrão registrou queda de 1% na receita, em base comparável e a câmbio constante, no terceiro trimestre. A receita somou 3,345 bilhões de euros, de modo geral em linha com as estimativas do consenso.
As vendas no principal negócio do grupo, de moda e artigos de couro, recuaram 3%, enquanto as da Gucci, principal marca da companhia, caíram 6%.
A empresa disse que a recuperação da Gucci está se consolidando gradualmente, mas analistas da Bernstein avaliaram que o recuo foi pior do que o esperado, com desempenho negativo nas lojas operadas diretamente.
A Kering está entre as empresas mais afetadas pela queda na demanda por bens de luxo, especialmente entre os chamados consumidores de luxo de entrada e compradores chineses. A companhia tem forte exposição a esses segmentos, pressionados por dificuldades econômicas e por uma redução dos gastos com itens de alto valor.
Além do cenário setorial adverso, a Kering busca revitalizar suas casas com mudanças nas equipes de gestão e criação em marcas como Gucci e Alexander McQueen.
"Destravar todo o potencial do grupo exige, entre outros fatores, recuperar o impulso da Gucci e executar o plano de ação na China", disse o diretor-presidente Luca de Meo.
"Sabemos que temos muito trabalho a fazer na China", afirmou a diretora financeira, Armelle Poulou, em teleconferência de resultados, destacando que o desempenho no país foi um dos principais entraves do trimestre.
Os números da Kering vêm após outras empresas do setor alertarem para vendas fracas na China, um mercado-chave. O setor esperava que uma melhora no país reforçasse a recuperação depois de um período prolongado de demanda fraca, mas consumidores chineses seguem gastando menos em meio ao cenário econômico desfavorável.
Poulou disse que o desempenho do terceiro trimestre ainda não reflete onde a empresa quer chegar e que o impacto da transformação em curso ainda não aparece plenamente na receita. Ela acrescentou que as tendências de outubro foram semelhantes às do terceiro trimestre na maioria das regiões.
Para os próximos meses, a Kering manteve a meta de melhorar a margem operacional recorrente neste ano, mas não comentou a intenção de voltar a crescer ainda em 2026, como havia indicado anteriormente. Fonte: Dow Jones Newswires.
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