Dólar cai 0,81% no dia com eleições no radar e recua 0,10% em setembro

30/09/2026 às 17:56 atualizado por Antonio Perez - Estadão | Siga-nos no Google News
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Apesar da recuperação parcial da moeda norte-americana no exterior e da alta das taxas dos Treasuries ao longo da tarde desta quarta-feira, 30, o dólar se manteve em queda firme no mercado local durante a segunda etapa de negócios e voltou a fechar abaixo do nível de R$ 5,20 após dois pregões.

O real apresentou, de longe, o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, impulsionado por eventual entrada de fluxo estrangeiro para ações locais, diante da percepção de aumento das chances do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial, segundo operadores. A vitória da oposição é vista, por uma parte do mercado financeiro, como um indutor de redução dos prêmios de risco associados ao quadro fiscal.

"Não houve pesquisas nem 'trackings' mostrando crescimento de Flávio, mas há um otimismo muito grande com a possibilidade de que ele termine o primeiro turno muito bem posicionado", afirma o estrategista de uma relevante casa local, que pede anonimato.

Depois de registrar mínima de R$ 5,1643, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,81%, a R$ 5,1750. Pela manhã, houve a disputa pela formação da última taxa Ptax de setembro e do trimestre, o que pode ter exacerbado os movimentos do câmbio. A moeda norte-americana encerra o mês com perda de 0,10%, após valorização de 2,16%. em agosto. No trimestre, houve alta de 0,23%.

O real foi a única moeda latino-americana a se apreciar em setembro, o que é atribuído em grande parte às expectativas em torno da corrida presidencial. O favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era marcante em agosto, deu lugar, nas últimas semanas, à percepção de uma disputa acirrada.

"Quanto menor for a diferença entre Lula e Flávio, melhor a reação do mercado na segunda-feira após o primeiro turno", afirma o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, cujos modelos sugerem movimento relevante no câmbio, "de alta em torno de R$ 0,30", após a eleição.

Pesquisa Indexa/Broadcast, divulgada pela manhã, mostra o presidente Lula com 39% das intenções de voto, ao passo que Flávio tem 34%. No segundo turno, o petista marca 43% contra 42% do candidato do PL - ou seja, há um empate técnico. Trata-se de um retrato similar ao apresentado por outras sondagens.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,12% perto do fim da tarde, aos 101,499 pontos, após mínima aos 101,026 pontos. Entre os pares do real, apenas o peso colombiano se apreciou nesta quarta. O Dollar Index termina setembro com ganhos de mais de 2%, o que leva o avanço no ano a cerca de 3,20%.

Pela manhã, o DXY esboçou um movimento de queda na esteira da redução das apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro, após leitura abaixo das expectativas do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos EUA em agosto - medida de inflação preferida pelo Banco Central norte-americano.

"Com a inflação americana mais comportada reduzindo essa percepção de que o Fed vai elevar os juros, o dia foi mais favorável ao risco, com provável entrada de fluxo externo para ativos locais", afirma Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, lembrando que questões técnicas, como a disputa pela formação da taxa ptax final de setembro e do trimestre, podem ter turbinado movimentos do câmbio.

Dados do Banco Central divulgados à tarde sugerem retomada do apetite do estrangeiro pelos ativos domésticos na semana passada. Entre 21 e 25 de setembro, o canal financeiro, que abrange os investimentos em portfólio, apresentou entradas líquidas de US$ 2,215 bilhões - o que contribui para o saldo total positivo de US$ 3,054 bilhões. Apesar disso, o fluxo total em setembro, até o dia 25, é negativo em US$ 4,025 bilhões, com saída líquida de US$ 4,624 bilhões no segmento financeiro.


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