30/09/2026 às 18:21 atualizado por
Guilherme Nannini
- Estadão |
Siga-nos no
São Paulo, 30 - Interrupções no fornecimento de insumos essenciais, como fertilizantes, geram desdobramentos que ultrapassam o setor químico e colocam em risco a segurança alimentar global, alertou a CEO e diretora-geral da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA), Alzbeta Klein.
Em análise divulgada pela entidade, a retirada de aproximadamente 8 milhões de toneladas de ureia do mercado internacional - a exemplo de gargalos observados ao longo do ano - pode resultar em perda de 75 milhões a 100 milhões de toneladas de trigo, em um universo de produção mundial pouco acima de 800 milhões de toneladas do cereal.
A executiva ressaltou que cerca de metade do alimento consumido no planeta depende do processo Haber-Bosch, responsável pela conversão de gás natural em fertilizantes nitrogenados, com um único fabricante respondendo por suprimentos que ajudam a alimentar perto de 5% da população mundial. Diante dessa dependência estrutural, instabilidades no fornecimento de energia afetam imediatamente custos de fabricação, formação de preços e comércio do segmento de nutrição vegetal, refletindo-se depois em decisões de plantio e produtividade no campo.
A análise aponta ainda que gargalos no Estreito de Ormuz e entraves regulatórios em serviços de certificação sanitária de embarques prejudicam a logística humanitária de grãos, o que reforça a necessidade de integrar fertilizantes, energia e navegação às estratégias globais de abastecimento.
Klein afirmou que metas ambientais devem ser submetidas a testes de estresse capazes de suportar flutuações de preços e gargalos logísticos sem inviabilizar a atividade de produtores. "Soluções como amônia de baixo carbono, fertilizantes de eficiência aumentada e biológicos exigem fortalecimento da demanda, instrumentos de financiamento vinculados à resiliência e sistemas eficientes de mensuração e verificação da pegada de carbono para atrair investimentos em larga escala", disse.