O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) avalia ser apropriado continuar elevando os juros ao longo do tempo, com a inflação subjacente se aproximando de 2% e com condições financeiras ainda acomodatícias, mostra a ata da reunião de política monetária realizada nos dias 30 e 31 de julho.
De acordo com a ata, muitos membros avaliaram que o BoJ, que antes buscava levar a inflação subjacente a 2%, está gradualmente passando a tomar decisões voltadas a ancorá-la em torno desse nível.
"O Banco continuará a elevar a taxa de juros e a ajustar o grau de acomodação monetária, em resposta à evolução da atividade econômica e dos preços, bem como das condições financeiras", diz o documento.
Um dos participantes observou que o mercado parecia esperar altas em intervalos de cerca de seis meses, mas ressaltou que esse ritmo pode mudar. "O ritmo das altas de juros poderia ser mais rápido do que as expectativas do mercado, dependendo da evolução da atividade econômica e dos preços, bem como das condições financeiras", registra a ata.
Ainda segundo o texto, outro membro afirmou que o foco da política monetária passou de levar a inflação subjacente a 2% para evitar novo desvio para cima. "Não se pode mais dizer que o risco de esperar é marginal." Alguns integrantes, porém, destacaram que timing e ritmo não podem ser fixados de antemão e serão avaliados reunião a reunião.
Na decisão de julho, o BoJ manteve a diretriz de operações para a taxa overnight em torno de 1,0%, por 8 votos a 1. O conselheiro Hajime Takata ficou isolado ao propor elevar para cerca de 1,25%, argumento rejeitado pela maioria, que preferiu monitorar os efeitos da alta feita em junho. Takata sustentou que o banco precisa reagir com mais agilidade ao novo ambiente global. "O Banco precisa adotar uma abordagem ágil em resposta aos riscos de alta nos preços causados por choques de demanda vindos do exterior e às mudanças nas condições financeiras externas", segundo a ata.
A publicação também detalha o pano de fundo inflacionário: o índice de preços ao consumidor (CPI) sem alimentos frescos vinha em torno de 1,5% ao ano, influenciado por medidas do governo para reduzir o peso da energia para as famílias, enquanto alguns membros observaram que, excluídas essas medidas, a inflação estaria entre 2,5% e 3,0%. O índice de preços ao produtor (PPI), por sua vez, seguia acima de 7%.
No balanço de riscos, o colegiado concluiu que os riscos para a atividade estão, em geral, equilibrados, mas "os riscos para os preços estão inclinados para cima", citando fatores como energia, câmbio e a demanda global ligada à inteligência artificial.
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