Dólar vai a R$ 5,11 com aversão ao risco no exterior e ajustes

09/09/2026 às 18:04 atualizado por Antonio Perez - Estadão | Siga-nos no Google News
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O dólar avançou nesta quarta-feira, 9, e voltou a fechar acima de R$ 5,10 diante do aumento da aversão ao risco no exterior e de uma provável saída de recursos da bolsa doméstica. Divisas emergentes, em especial latino-americanas, apanharam com nova rodada de alta das taxas dos Treasuries, impulsionadas sobretudo por temores inflacionários com a escalada do petróleo.

As cotações da commodity avançaram mais de 3% em meio ao recrudescimento do conflito no Oriente Médio, com atritos entre Estados Unidos e Irã, além de ataques ucranianos à infraestrutura de energia na Rússia. O contrato do Brent para novembro avançou 3,36%, a US$ 101,21 o barril - pela primeira vez acima da marca de US$ 100 desde fins de julho.

No momento de maior estresse, pouco depois das 12h, o dólar à vista tocou máxima de R$ 5,1153. Após rondar os R$ 5,10 pela maior parte da tarde, a moeda voltou ao nível de R$ 5,11 na reta final do pregão e fechou a R$ 5,1123, alta de 0,52%. O real, que brilhou nos primeiros pregões de setembro, amargou o pior desempenho entre as divisas mais líquidas. A moeda americana recua 1,31% frente ao real no mês, após avanço de 2,16% em agosto.

Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar, além da piora do ambiente externo com os conflitos internacionais, houve uma "realização técnica" em relação a ativos domésticos, após o rali estimulado pela reconfiguração do quadro eleitoral, com crescimento da oposição nas intenções de voto.

"A parte eleitoral já entrou no preço dos ativos, com uma diminuição de prêmio de risco que favoreceu a moeda", afirma Bacelar. "Hoje [quarta-feira] o dia é ruim com a questão da guerra, mas o petróleo pode ajudar o real pelos termos de troca, enquanto a abertura da curva americana, com a perspectiva de alta de juros pelo Federal Reserve, é ruim para a moeda".

Por volta das 15h30, o governo anunciou a assinatura de um decreto com redução de PIS/Cofins sobre a gasolina e zeragem de tributos sobre o etanol, além de uma Medida Provisória que prevê alívio de mais R$ 1 no litro do diesel. Em vídeo, o presidente Lula disse que não vai "permitir" que uma guerra "irresponsável" abale o poder de compra dos brasileiros. Após o anúncio da medida, os juros futuros acentuaram o ritmo de alta e o dólar passou a oscilar ao redor de R$ 5,11.

O especialista em câmbio Nicolas Gomes, da Manchester Investimento, afirma que o mercado se mantém atento aos desdobramentos da disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que afeta "diretamente o cenário eleitoral". Com o mercado de câmbio já fechado, saiu a notícia de que o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a tramitação da ação sobre diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estava sob os cuidados do ministro André Mendonça.

Lá fora, o índice DXY, termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, rondou a estabilidade ao longo da tarde e subia 0,04% por volta das 17h, aos 98,828 pontos. O Dollar Index foi contido mais uma vez pela apreciação do iene, com a expectativa de alta dos juros no Japão no fim da semana que vem. A coroa norueguesa, relacionada ao petróleo, avançou cerca de 0,30%.

Bacelar, da Azimut, pondera que o ambiente para o real parece menos promissor com a política monetária divergente no Brasil e nos EUA. A expectativa é que a superquarta, dia 16, seja marcada por novo corte da taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano, e uma elevação dos juros em 0,25 ponto pelo Fed.

"É um cenário ruim para o real. Eu acredito que o BC corta 0,75 pontos-base neste ano, com redução na semana que vem e nas duas últimas reuniões do ano", afirma Bacelar, lembrando que nesta sexta-feira, 11, sai o IPCA e o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) nos EUA.


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