Condições financeiras globais tornaram-se marginalmente mais restritivas, avalia Comef do BC

02/09/2026 às 13:40 atualizado por Marianna Gualter - Estadão | Siga-nos no Google News
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O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central avaliou, na ata de sua 66ª reunião, que desde o encontro anterior as condições financeiras globais tornaram-se marginalmente mais restritivas, enquanto persistem vulnerabilidades nas principais economias. "A liquidez global permanece elevada e tem contribuído para uma dinâmica positiva dos ativos e do apetite ao risco, inclusive em economias emergentes", disse.

Nos Estados Unidos, detalhou, a inadimplência permanece elevada em diversas modalidades de crédito. O segmento de crédito privado continua crescendo no país, em associação com a aceleração dos investimentos no setor de tecnologia, ao mesmo tempo que se ampliam os riscos relacionados a essa expansão.

Já na China, observa-se desaceleração do crédito bancário e menor rentabilidade dos bancos, em linha com a menor demanda por crédito em um ambiente de moderação da atividade econômica doméstica, enquanto os indicadores de adequação de capital sugerem resiliência, disse.

"O sistema financeiro internacional tem demonstrado resiliência diante da sobreposição de choques globais e do acúmulo de seus efeitos. A aceleração de investimentos associados à digitalização e à inteligência artificial, as alterações no ambiente de políticas econômicas e a continuidade do conflito no Oriente Médio têm levado a revisões nas expectativas de inflação e nas trajetórias fiscal e monetária", avaliou.

O Comef acrescentou que a elevação das taxas de juros de longo prazo e as flutuações acentuadas das moedas de algumas economias avançadas aumentam a probabilidade de materialização de eventos adversos.

Nesse contexto, disse, persistem as incertezas e os riscos de uma interação entre os efeitos do atual choque de oferta e as vulnerabilidades financeiras preexistentes. "O cenário ainda requer atenção", concluiu.

O Comef também listou que a maioria das jurisdições manteve inalterados seus respectivos buffers contracíclicos de capital, enquanto quatro jurisdições os elevaram. Esse instrumento consiste em uma parcela a ser acumulada pelos bancos em momentos de expansão econômica e do ciclo de crédito, como uma "poupança", para ser consumida em fases de contração.

Segundo o Comef, entre as 58 jurisdições avaliadas, 45 mantêm o buffer contracíclico ativado e 28 fazem referência à adoção do buffer neutro positivo, sistemática que prevê a manutenção de um nível mínimo de capital adicional contracíclico mesmo em períodos sem acúmulo significativo de riscos financeiros.


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