São Paulo, agosto de 2026 - Em uma iniciativa pioneira para a pecuária de corte nacional, a Inpasa, maior biorrefinaria de grãos da América Latina e segunda maior produtora de etanol do mundo, firmou parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para a realização do primeiro estudo científico no país focado exclusivamente na utilização do DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) de sorgo puro para a alimentação de gado de corte em confinamento.
Conduzido no confinamento experimental da UFG pelo Laboratório de Pesquisa em Zootecnia — referência há mais de cinco anos em estudos com coprodutos de grãos —, o trabalho avalia 200 bovinos da raça Nelore divididos em 25 baias. Os animais estão na fase de terminação intensiva, etapa final do ciclo pecuário voltada ao ganho rápido de peso e à formação de gordura na carcaça. O objetivo é medir a eficiência nutricional e técnica da substituição gradual do milho na ração pelo DDGS de sorgo, produto comercializado pela Inpasa sob a marca FortiPro.
Pesquisa e os primeiros resultados
O estudo analisa dietas voltadas ao ganho rápido de peso, formuladas com milho e 8,5% de bagaço de cana-de-açúcar como fonte de fibra. No teste, o milho é gradualmente substituído pelo DDGS de sorgo em proporções que variam de 0% a 50% da matéria seca. Durante o processo, os pesquisadores acompanham indicadores fundamentais de desempenho, como o ganho de peso diário, a conversão alimentar, o consumo de ração, o aproveitamento dos nutrientes pelo organismo do animal e o rendimento final da carcaça.
“O principal destaque foi a segurança digestiva e a rápida aceitação do produto pelos animais. Mesmo com metade da ração composta por DDGS de sorgo, observamos uma adaptação acelerada: o gado atingiu um excelente ritmo de consumo em menos de uma semana. Além disso, o insumo evitou quedas bruscas de apetite causadas pela acidez no estômago, comum em dietas intensivas. Pelos dados de consumo até aqui, a eficiência do sorgo se equipara perfeitamente à do DDGS de milho, que já é amplamente consolidado no mercado", destaca o Prof. Dr. Juliano Fernandes, pesquisador e professor de nutrição de ruminantes da EVZ/UFG
Consolidação do DDGS de sorgo
A consolidação do uso do DDGS de sorgo no Brasil atende a uma demanda estratégica e regionalizada. O estado de Goiás é o maior produtor nacional de sorgo, cultura altamente rústica e tolerante ao estresse hídrico. A industrialização do cereal pela Inpasa para a produção de etanol e coprodutos conecta diretamente a abundância da safra agrícola goiana à forte demanda da pecuária intensiva do Centro-Oeste.
Diferente de mercados internacionais, como o norte-americano, onde o DDGS é comercializado majoritariamente na forma de blends mistos de cereais, o insumo processado no Brasil e testado pela UFG é proveniente do processamento puro do sorgo, permitindo ao produtor maior rastreabilidade e previsibilidade nutricional.
Próximos passos
Com o encerramento do ciclo de confinamento e o abate dos animais, os pesquisadores iniciarão a fase de coleta e processamento estatístico dos dados pós-abate, focando em rendimento de carcaça, espessura de gordura e parâmetros nutricionais de digestibilidade. O estudo com a raça Nelore serve também como base sólida de aplicação para animais cruzados como o Nelore-Angus.
Além do confinamento, a Inpasa e a UFG já estruturam novas etapas de P&D para testar estratégias de fornecimento de DDGS de sorgo na suplementação a pasto durante a fase de recria, aproveitando o potencial único do Brasil em combinar volumoso de pastagem tropical de alta qualidade com suplementação intensiva.
Informações: Inpasa
Fotos: Acervo Inpasa