Exportação de gado em pé foi recorde em agosto

Embarques somaram 171 mil cabeças e geraram US$243,9 milhões, volume 36,4% maior que o recorde anterior para agosto, em 2024

02/10/2026 às 08:26 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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Em agosto, o embarque de bovinos vivos foi de 171 mil cabeças, 109,4% acima do de agosto de 2025 e 36,4% acima do recorde anterior para o mês, em 2024 (figura 1).

Figura 1.
Volume de bovinos vivos exportado em agosto, de 2016 a 2026, em cabeças.


Fonte: Secex | Elaborado pela Scot Consultoria.

Segundo análise da Scot Consultoria, a receita gerada foi de US$243,9 milhões, alta de 182,6% em relação a agosto de 2025. De janeiro a agosto, o Brasil exportou 917,6 mil cabeças, o melhor desempenho da série para o período. Esse volume equivale a 87,4% da exportação de 2025, que foi de 1,05 milhão de cabeças (figura 2).

Figura 2. 
Volume de bovinos vivos exportados, de 2016 a 2026, em cabeças.


Nota: dados de 2026 até agosto.
Fonte: Secex | Elaborado pela Scot Consultoria.

O Pará foi o maior exportador em agosto, com 65,9% dos embarques, seguido pelo Rio Grande do Sul (23,6%) e pelo Paraná (6,7%) (figura 3). O Pará embarcou 112,6 mil cabeças, quase quatro vezes o volume de agosto de 2025, e respondeu por 92,6% do aumento dos embarques na comparação feita ano a ano.

Figura 3.
Participação dos principais estados de origem na exportação de bovinos vivos em agosto de 2026, em porcentagem.

Fonte: Secex | Elaborado pela Scot Consultoria.

A Turquia liderou as importações, com 62,2 mil cabeças (36,4% do total), seguida por Marrocos (21,9%) e Iraque (20,6%). Juntos, os três países responderam por 79,0% dos embarques. O Marrocos, com 37,5 mil cabeças, quase quadruplicou as compras em relação a agosto de 2025, quando importou 9,5 mil cabeças. Líbano e Arábia Saudita também ampliaram os volumes, enquanto o Egito, reduziu as compras em 52,7% na comparação com agosto de 2025.

O comportamento mês a mês em 2026 alternou picos e vales, portanto o recorde de agosto não indica, por si, uma trajetória contínua de crescimento. Se os embarques de setembro a dezembro repetirem o volume registrado no mesmo período de 2025 (397,8 mil cabeças), o desempenho de 2026 alcançaria aproximadamente 1,32 milhão de cabeças.

A exportação para poucos mercados exige atenção, pois aumenta a dependência do Brasil em relação a esses destinos. Em junho, Turquia, Marrocos, Iraque e Egito responderam, juntos, por 98,1% dos embarques. Assim, uma eventual redução das compras ou mudança nas regras comerciais de qualquer um desses países afetaria a exportação. A dinâmica desse comércio sofre a forte influência de fatores geopolíticos, como as tensões entre Irã e Estados Unidos, que desestabilizaram mercados tradicionais e impulsionaram a alternância nos picos de compras.

Outro ponto a ser acompanhado é o Projeto de Lei no. 1.026/2026, que pretende proibir o transporte marítimo de animais vivos para fins comerciais, tanto na exportação quanto na importação. A proposta estava pronta para ser analisada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), com parecer do relator contrário à sua aprovação.

 

Informações: Scot Consultoria


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