Saúde Animal

Especialistas afirmam que fotossensibilização e período de desmame estão relacionados

Doença é mais comum em bezerros e exige atenção no período de desmame

25/11/2019 - 13:00 | Por Rafaela Flôr* - SBA

A fotossensibilização, popularmente conhecida como requeima, é causada por fungos presentes nas plantas forrageiras braquiárias. É comum a ocorrência em bezerros ruminantes e em períodos de chuvas. O diagnóstico precoce e tratamento correto indicado por médico veterinário evita que a doença se torne fatal.

A médica veterinária e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Vanessa Felipe explica que existem dois tipos da doença, a primária e a secundária. “A mais comum e que causa mais problemas é a secundária, que ocorre a partir da ingestão de plantas que provocam lesões no fígado do animal. As plantas tóxicas mais conhecidas são a Orelha de Macaco, a Lantana, a Crotalária e também a que causa 90% dos casos da doença, a braquiária, especialmente a braquiária decumbens”.

A doença é causada pelo acúmulo de saponinas no organismo do animal e ingestão de grande quantidade de saponinas e provocam lesão hepática. “O fígado prejudicado não consegue metabolizar, durante a digestão, o composto chamado filoelitrina e que é fotodinâmico. Esse composto não metabolizado pela bile segue na corrente sanguínea, se acumula nos tecidos da epiderme e, em contato com o sol, gera as lesões – ou seja, as queimaduras na pele”, esclarece a médica veterinária.

A pesquisadora destaca que a ocorrência da fotossensibilização é maior em bezerros até 24 meses e na época de desmame e no período em que há mais chuvas, pois favorecem a brotação das pastagens. De acordo com Felipe, o bezerro está na fase de desenvolvimento do aparelho digestivo para ingestão de forrageiras e é durante a adaptação que, por estar desacostumado com os altos níveis de saponinas, torna-se tóxico ingeri-las.

Os principais sintomas, segundo a médica veterinária, são: inchaço, iciterícia (amarelão), ressecamento de pele e aspecto quebradiço. O comportamento do animal também se altera e é possível diagnosticá-lo por meio da observação se ele está se alimentando, inquieto e com coceiras. As áreas do corpo do animal que devem ser observadas são os flancos, a virilha, o períneo, a vulva, a barbela, o focinho e o úbere.

Doença também atinge animais em fase adulta. (Foto: Reprodução Internet)

O tratamento adequado depende da gravidade e avanço da doença no animal e resultados diante do uso dos principais medicamentos aplicados, para isso é necessário acompanhamento de médico veterinário. Felipe indica que a primeira coisa a ser feita é retirar o animal doente do contato com a luz solar e disponibilizar água abundante e limpa.

De acordo com o médico veterinário e diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Armando Pereira, os casos de fotossensibilização são mais comuns em bezerros em desmame ou recém desmamados e abaixo de 24 meses. O período mais propício e com mais ocorrências da doença está relacionado com o fim da estação de monta, principalmente nos meses de março a junho.

A fim de evitar que os bezerros sejam contaminados pelas toxinas presentes nas braquiárias, Pereira recomenda que a pastagem seja mantida em altura baixa e os animais recebam suplementos na dieta. “Ao desmamar um lote de animais e colocá-los em uma braquiária decumbens alta e seca, tem o ambiente propício para o desenvolvimento do fungo que gera a doença. Uma forma de evitar é planejar a desmama, ter um pasto verde, que não seja da braquiária decumbens, com baixa altura, ou seja, uma pastagem tenra. Um manejo correto das braquiárias na fase da desmama vai evitar a presença do fungo. Outra maneira é suplementar os animais após a desmama, fazendo com que não entrem afoitos nas pastagens, pois está sendo nutrido com ração proteica e com suporte nutricional”.

O médico veterinário também alerta que há incidência de fotossensibilização em bovinos na fase adulta, causada por outras plantas tóxicas além da braquiária decumbens. “Tem uma árvore chamada Tambori que tem as sementes extremamentes tóxicas. O animal jovem ou adulto, ao ingeri-las, também desenvolve quadro de fotossensibilização”.

*Texto com supervisão de Douglas Ferreira.

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