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São Paulo, 31/07/2026 – O Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva da soja e do biodiesel deverá crescer 6,87% em 2026, impulsionado pela safra recorde brasileira e pelo avanço do processamento do grão pela indústria. A projeção se baseia em estudos realizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Segundo o levantamento, o desempenho ocorre após a expansão de 11,72% registrada em 2025 e fará com que a cadeia represente 21,2% do PIB do agronegócio brasileiro e 4,8% do PIB nacional em 2026.
A principal sustentação para o crescimento é a expectativa de produção recorde de soja na safra 2025/26, estimada em 180,56 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aliada ao maior esmagamento do grão pela indústria, favorecido pela demanda firme por farelo, óleo e biodiesel.
Todos os segmentos da cadeia devem apresentar expansão neste ano. O setor de insumos tem crescimento projetado de 2,57%, refletindo o aumento da área cultivada, da produção e da demanda por sementes, fertilizantes, defensivos e tecnologias. Na produção agrícola, o avanço estimado é de 7,26%, sustentado pela combinação entre expansão da área, ganhos de produtividade e condições climáticas favoráveis.
A agroindústria deve liderar o crescimento, com alta de 7,74%, favorecida pela maior oferta de matéria-prima e pelo fortalecimento da demanda pelos derivados. Dentro desse segmento, o biodiesel se destaca, com expansão prevista de 10,93%, resultado da maior produção registrada no primeiro trimestre de 2026 e da consolidação da mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel (B15), em vigor desde agosto de 2025.
Nos agrosserviços, que incluem transporte, armazenagem e comercialização, a projeção é de crescimento de 6,89%, acompanhando o aumento da produção e do processamento da soja.
O estudo também reforça a importância da agregação de valor ao processamento do grão. As estimativas indicam que cada tonelada de soja produzida e processada gerou R$ 6.710 em PIB até o primeiro trimestre de 2026, valor 3,84 vezes superior ao gerado pela soja exportada in natura, de R$ 1.747 por tonelada.
No mercado de trabalho, a cadeia da soja e do biodiesel empregou 2,54 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,29% em relação ao mesmo período do ano passado. O contingente representa 2,49% da ocupação total da economia brasileira e 11,21% do emprego no agronegócio.
O crescimento do emprego foi puxado pelos segmentos de insumos (1,81%), agroindústria (9,23%) e agrosserviços (6,09%). Em contrapartida, a produção agrícola registrou queda de 6,74% no número de trabalhadores, movimento que, segundo os pesquisadores, consolida uma tendência observada desde 2023, associada aos avanços tecnológicos e aos ganhos de eficiência no campo.
Na agroindústria, o destaque ficou para o esmagamento e refino de soja, que adicionaram mais de 6 mil postos de trabalho no primeiro trimestre. Também houve aumento do emprego nas indústrias de biodiesel e de rações.
O levantamento mostra ainda que o processamento agrega mais empregos à cadeia. Foram gerados 26 trabalhadores para cada mil toneladas de soja produzida e processada, quase quatro vezes acima da soja destinada diretamente à exportação, que empregou 6,5 trabalhadores por mil toneladas.
No comércio exterior, as exportações da cadeia da soja e do biodiesel alcançaram 29,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 5,95% sobre igual período de 2025. Em receita, os embarques somaram US$ 12,3 bilhões, crescimento de 11,8%, favorecidos tanto pelo maior volume exportado quanto pela valorização média de 5,52% nos preços.
As vendas externas de soja em grão foram impulsionadas pela safra recorde brasileira e pela demanda internacional aquecida, enquanto os preços internacionais encontraram suporte na valorização do petróleo e nas expectativas de expansão do mercado de biocombustíveis. No caso do óleo de soja, a demanda crescente por matérias-primas destinadas à produção de biodiesel e diesel renovável, principalmente na América do Norte e na Ásia, favoreceu os embarques e sustentou as cotações.
Já o farelo de soja registrou aumento dos volumes exportados, especialmente para países do Oriente Médio e do Sudeste Asiático. Entretanto, a maior oferta global de farelos concorrentes, como canola e girassol, limitou os preços internacionais, que apresentaram leve recuo no primeiro trimestre deste ano.