Ibovespa devolve queda pós-Fed e volta aos 177 mil pontos

30/07/2026 às 17:41 atualizado por Denise Abarca - Estadão | Siga-nos no Google News
:

O Ibovespa fechou em alta firme nesta quinta-feira, 30, mais que devolvendo a queda de ontem, embalada pela melhora geral do sentimento de risco nos mercados globais, de volta aos 177 mil pontos. Os relatos nas mesas de renda variável foram de retomada do fluxo de compras de estrangeiros, o que favoreceu as blue chips e também ajudou a fortalecer o real.

O apetite ao risco não só enfraqueceu o dólar ante as demais moedas, como também estimulou o avanço das ações na Europa e em Nova York, animando a Bolsa por aqui. O Dow Jones encerrou com alta de 1,19%, o S&P 500 teve valorização de 1,67% e o Nasdaq, de 2,78%.

A economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, explica que os mercados passaram por um alívio no risco de aperto monetário pelo Federal Reserve, depois que a inflação medida pelo índice de preços dos gastos com consumo (PCE, em inglês) de junho veio em linha com as previsões.

"A mesma coisa que derrubou os índices ontem hoje ajudou", afirma, lembrando que ontem o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, e os votos dissidentes de três diretores por um aumento do juro trouxeram cautela à expectativa para a política monetária nos EUA.

Sobre o índice PCE, Veronese pondera que "um único dado" não dissipa todas as preocupações sobre a inflação, mas deu um pouco de tranquilidade de que o Fed pode não ser tão duro. "Não é que o cenário lá está tranquilo, mas foi um bom dia seguinte."

Ao mesmo tempo, no Brasil, o mercado vai ampliando as apostas de queda da Selic a partir de dados de inflação mais benignos, o que respalda ganhos principalmente das ações cíclicas, que hoje figuravam na lista das maiores altas, entre elas Cogna ON (+5,48%), Magalu ON (+5,46%) e Cury ON (+5,37%).

Na esteira do IPCA-15 de julho na terça-feira, hoje o mercado teve outra boa notícia da inflação, com a queda de 1,16% do IGP-M de julho, mais intensa do que apontava a mediana da pesquisa Projeções Broadcast (-1,03%). "Não há duvida de que Selic vai cair na semana que vem", diz a economista.

A melhora das expectativas para juros nos EUA e no Brasil atraiu fluxo para os carros-chefe do Ibovespa, como commodities e setor financeiro, segundo Veronese.

Merece destaque o desempenho dos bancos, que ontem tinham respondido pela maior parte das perdas do índice, puxadas pelo tombo de mais de 7% das Units do Santander. Itaú Unibanco PN subiu 2,20% e BB ON, +1,97%.

Os papéis relacionados a commodities avançaram e ajudaram a garantir a trajetória positiva da Bolsa. Petrobras ON e PN fecharam em alta de 2,19% e 2,00%, descoladas da queda dos preços do petróleo, em razão não somente do fluxo externo, mas também pela perspectiva favorável de que o reservatório do campo de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, seja alcançado nas primeiras semanas de agosto.

Vale ON subiu 1,39%, tendo superado ao longo da sessão a queda dos preços do minério de ferro e a influência negativa do balanço da Rio Tinto. A empresa divulga balanço hoje após o fechamento do mercado.

O Ibovespa encerrou em alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima. Na mínima, marcou 173.885 pontos, estável. Na semana, acumula avanço de 1,79% e, em julho, de 2,98%. Em 2026, o índice sobe 9,95%. O giro financeiro da Bolsa hoje foi de R$ 22,7 bilhões.


Últimas Notícias

Whatsapp