
As exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos sofreram um novo e duro golpe comercial. Uma nova tarifa adicional de 12,5%, imposta pelo governo norte-americano sob a Seção 301 em investigação sobre o combate ao trabalho forçado, fará com que 32,9% dos embarques do setor acumularem uma sobretaxa total de 37,5%.
O impacto ocorre porque essa fatia do agro já havia sido atingida pela taxa prévia de 25% anunciada em meados de julho. Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), outros 12,3% das vendas agropecuárias aos EUA passarão a pagar exclusivamente o novo adicional de 12,5%.
Ao todo, 53% das exportações do agro brasileiro permaneceram isentas de ambas as tarifas, enquanto 1,6% — composto por produtos de madeira — segue sob regramento específico da Seção 232.
AMEAÇA A SETORES DEPENDENTES
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alertou em comunicado que a medida prejudica gravemente a competitividade internacional do Brasil e afeta em cheio setores altamente dependentes do mercado americano. Os EUA são o destino de 84% do mel exportado pelo Brasil e compram cerca de 50% de todas as vendas externas de pescados do país.
Mori esclareceu que as listas de exceções das duas investigações americanas não são equivalentes. "Produtos que ficaram isentos da tarifa de 25% não foram necessariamente excluídos da medida relacionada ao trabalho forçado, acumulando alíquotas", explicou a executiva.
CNA CONTESTA ARGUMENTOS DOS EUA
A CNA rebatou formalmente os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A entidade demonstrou durante o processo que o Brasil possui um dos marcos legais e de fiscalização do trabalho mais rigorosos do mundo.
Diferente da primeira ação da Seção 301, que focou isoladamente no Brasil, a nova resolução norte-americana tem alcance global e atingiu 60 parceiros comerciais dos EUA. A CNA participou das audiências públicas no USTR e afirmou que continuará defendendo os produtores nacionais e buscando o diálogo diplomático para reverter as punições.
Fonte: Estadão