
A decisão do governo dos Estados Unidos de deixar os produtos da reciclagem animal fora da lista de isenções tarifárias acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Com a manutenção da sobretaxa de 25%, cerca de 42% de tudo o que o país envia ao exterior nesse segmento passa a ser diretamente afetado.
Segundo levantamento da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), o principal atingido é o sebo bovino. Apesar de a administração norte-americana ter ampliado as exceções fiscais recentemente, gorduras e farinhas de origem animal continuam sujeitas à taxa extra.
Os números mostram o peso dessa relação comercial: apenas em 2025, o Brasil vendeu 424 mil toneladas de itens reciclados para o mercado norte-americano. Desse total, 389 mil toneladas correspondiam exclusivamente ao sebo de boi — o que representa quase 92% dos embarques do setor para aquele destino.
Dependência do mercado norte-americano A entidade ressalta que a medida traz prejuízos para a própria indústria dos EUA, que depende desse insumo para a produção de biocombustíveis e itens de higiene. No ano passado, os americanos importaram 1,07 milhão de toneladas do produto, sendo o Brasil responsável por 83% de tudo o que eles adquiriram de gordura animal no exterior. Nos três primeiros meses deste ano, essa fatia subiu para 88%.
Para o presidente do conselho diretivo da Abra, Pedro Bittar, a sobretaxa impõe barreiras a um comércio essencial para ambos os países, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes globais.
Diante do impasse, a associação informou que continuará articulando ações junto ao governo federal para negociar com Washington a retirada dos produtos da lista de tarifas, buscando restabelecer a igualdade de condições no comércio internacional.
Fonte: Estadão