Um estudo divulgado na terça-feira, 21, no blog do Banco Central aponta que a combinação entre desemprego baixo, inércia inflacionária e desancoragem das expectativas explicam o desvio da inflação de serviços subjacentes em relação ao centro da meta perseguida pela autoridade monetária.
"Os resultados sugerem que a inflação do núcleo Ex3 Serviços encontra-se acima do nível compatível com a meta de inflação, em linha com seus fundamentos: um mercado de trabalho aquecido e níveis de inflação passada e esperada acima da meta de 3%", escreve o assessor do departamento econômico do BC Thiago Trafane Oliveira Santos, autor do estudo.
A inflação de serviços subjacentes é um dos principais indicadores observados pelo BC, devido à sua sensibilidade à atividade econômica, ao mercado de trabalho e, portanto, à política monetária.
O exercício usa dados mensais de dezembro de 2001 a maio de 2026 para calcular o impacto do mercado de trabalho, expectativas e inércia inflacionária sobre o núcleo Ex3 Serviços do IPCA, que mede a inflação subjacente do grupo, com base em uma curva de Phillips. As estimativas de fundamentos já excluem os efeitos da pandemia de covid-19, que podem produzir ruídos na série.
Nas contas de Trafane, a inflação subjacente de serviços medida pelo fundamento aumentou a partir de meados de 2024 e se estabilizou em cerca de 6% ao ano desde o ano passado. É uma taxa 2 pontos porcentuais acima da chamada "meta ajustada" do grupo, de 4%, já que o Ex3 Serviços tende a ficar 1 ponto acima da meta de inflação.
Segundo as estimativas do pesquisador, a elevação da taxa responde em parte por uma queda da taxa desemprego que não acelera nem retrai a inflação - a chamada Nairu, na sigla em inglês. Esse "desemprego de equilíbrio", que era de 9% até 10% até meados de 2007, aumentou a 11% até o fim de 2015 e depois caiu até 7,2% em maio de 2026, o menor nível da série histórica.
"O hiato do desemprego é estimado em -1,8 ponto, sendo possível descartar um hiato neutro ou positivo ao nível de 90% ou mesmo de 95%, uma vez que o intervalo de confiança de 95% - entre 5,41% e 9,09% - se encontra integralmente acima da taxa de desemprego observada no mês (5,38%)", destaca o assessor do BC.