
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou suas projeções econômicas e apresentou um quadro de maior cautela para o fechamento de 2026. Segundo o Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado pela entidade, o governo federal deve encerrar o ano com um déficit primário de R$ 55,3 bilhões — patamar praticamente idêntico ao registrado em 2025, mesmo diante da expectativa de crescimento na arrecadação de impostos.
Com a manutenção do desequilíbrio nas contas públicas, a dívida bruta do setor público deve atingir o equivalente a 82% do Produto Interno Bruto (PIB). O número representa um avanço de 10,3 pontos percentuais na comparação com o patamar registrado há uma década.
Inflação mais alta e Selic em 13,75%
A deterioração das contas públicas veio acompanhada de um aperto nas estimativas de preços. A CNI elevou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,4% para 5% em 2026. A pressão inflacionária tem sido alimentada principalmente pelo encarecimento dos combustíveis, pelo custo dos alimentos e pela resiliência da inflação no setor de serviços.
Diante desse cenário combinado de risco fiscal e inflação persistente, a entidade passou a prever um ciclo de queda de juros bem mais tímido por parte do Banco Central:
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Estimativa anterior: Selic caindo para 12,75% ao ano.
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Nova estimativa: Apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 14,25% para 13,75% ao final de 2026.
"O cenário fiscal e inflacionário limita o espaço para uma flexibilização mais intensa da política monetária", explicou o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles.
Commodities garantem superávit comercial recorde
Se por um lado o cenário interno impõe desafios, o comércio exterior surge como o principal alívio para a economia brasileira. A CNI projeta que as exportações alcancem US$ 383,9 bilhões em 2026 (alta de 9,5%), enquanto as importações somarão US$ 306 bilhões (+5,2%).
Com esses números, a balança comercial deve registrar um superávit expressivo de US$ 77,9 bilhões — um avanço de 30,4% frente ao saldo de 2025 —, impulsionado pelas valorizações das commodities agrícolas e minerais nos mercados internacionais.
Fonte: Estadão