
O Ibovespa voltou a operar pressionado nesta terça-feira (21), acumulando perdas após registrar quatro quedas consecutivas. A apreensão dos investidores é alimentada pela combinação entre o cenário fiscal interno, a proximidade da entrada em vigor das tarifas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e a volatilidade do petróleo no exterior.
No cenário doméstico, o mercado acompanha de perto a divulgação das mais recentes pesquisas eleitorais para a Presidência da República. Pela sondagem Indexa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 41% das intenções de voto, contra 30% do senador Flávio Bolsonaro. Já no levantamento da RealTime Big Data, a disputa aparece mais acirrada, com Lula registrando 45% ante 42% do adversário. Analistas do mercado avaliam que a manutenção da liderança governista levanta preocupações fiscais sobre os gastos públicos nos próximos anos.
O peso do "tarifaço" dos EUA e os acordos externos
Entra em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. O governo federal iniciou reuniões de emergência com os setores mais impactados para desenhar medidas de mitigação.
Para contrabalançar o tombo no comércio com os americanos, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou os primeiros resultados do acordo entre Mercosul e União Europeia: em apenas dois meses de vigência, as vendas brasileiras para o bloco europeu saltaram R$ 10 bilhões, um avanço de 26% frente ao mesmo período de 2025.
Capital estrangeiro segue ingressando na B3
Apesar da cautela que trava a recuperação do índice, o saldo de capital externo no mercado acionário brasileiro continua positivo em julho, registrando entrada líquida de R$ 2,35 bilhões na primeira quinzena do mês.
Segundo William Jackson, economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics, o Brasil continua sendo visto como um destino atraente para o capital internacional no curto prazo por ser um exportador líquido de energia em momentos de choque no preço do petróleo, embora os riscos fiscais pré-eleitorais continuem no horizonte.
Fonte: Estadão