
Os pecuaristas que trabalham com confinamento bovino devem registrar margens de lucro elevadas no terceiro trimestre de 2026. A projeção faz parte do relatório trimestral do Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), que aponta o avanço da colheita da safrinha de milho e da safra de cana-de-açúcar como os grandes impulsionadores do alívio nos custos de nutrição animal.
Segundo o levantamento, a maior oferta de milho no Centro-Oeste barateou a fonte energética da ração, enquanto a safra canavieira no Sudeste garantiu abundância de bagaço de cana para a dieta das boiadas. Entre junho de 2024 e junho de 2026, a fatia que a alimentação representa no custo total da arroba produzida despencou de 89,1% para 51,4% no Centro-Oeste e de 76,4% para 51,3% no Sudeste.
"A rentabilidade do confinamento passou a depender cada vez menos do ágio de compra do animal e cada vez mais da eficiência da produção e da gestão dos custos alimentares", apontam os pesquisadores do Icap.
Lucro sustentável mesmo com boi acomodado
Apesar de a cotação da arroba do boi gordo ter perdido força ao longo do segundo trimestre — recuando de R$ 346 para R$ 323,50 no Centro-Oeste e de R$ 351 para R$ 331,50 no Sudeste —, o custo diário de alimentação caiu em ritmo acelerado, preservando a saúde financeira do negócio.
No acumulado do segundo trimestre, o lucro médio do pecuarista permaneceu acima de R$ 1.000 por cabeça nas duas principais regiões produtoras:
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Centro-Oeste: O custo da diária alimentar caiu para R$ 13,03 por cabeça (recuo de 12,8% ante 2025), garantindo um lucro líquido de R$ 1.046,32 por animal.
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Sudeste: A diária caiu para R$ 11,96 por cabeça (menor marca desde o fim de 2024), levando o lucro a subir 1,9% e atingir R$ 1.112,05 por animal.
Em abril, o Sudeste registrou um recorde histórico na relação de troca: foram necessários apenas 29,18 dias de alimentação para pagar cada arroba vendida, demonstrando como o controle de insumos virou o novo pilar de competitividade na pecuária de corte.
Fonte: Estadão