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Nas regiões de produção rural de todo o mundo, as abelhas ajudam a produzir os alimentos que chegam à nossa mesa. Ao transportar pólen entre as flores, esses insetos contribuem para a reprodução das plantas, a produtividade agrícola e a conservação da biodiversidade. Comemorado em 3 de outubro, o Dia Nacional da Abelha nos relembra da importância desses polinizadores para a segurança alimentar e para a geração de renda no campo.
Em São Paulo, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) atua em diferentes frentes para proteger as abelhas e fortalecer a cadeia produtiva do mel. As ações envolvem pesquisas da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), além do trabalho da Defesa Agropecuária na vigilância de doenças, fiscalização, inspeção, rastreabilidade e orientação aos produtores.
A importância econômica dessa atividade também aparece nos números. Segundo a série histórica da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, o valor da produção de mel de abelha em São Paulo superou os R$100 milhões em 2025. Além do mel, produtos como própolis, geleia real, pólen apícola e cera abastecem as indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Em todo o estado, são 1.884 apiários, com 234.090 colmeias, e 1.121 meliponários, com 27.347 colmeias. Juntas, as duas modalidades de criação reúnem 261.437 colmeias, demonstrando a dimensão da atividade e a importância do acompanhamento sanitário e do apoio técnico aos criadores.
Proteção das colmeias e apoio aos produtores
A saúde das abelhas é uma das bases para o desenvolvimento da atividade. Por meio do Programa Estadual da Saúde das Abelhas (PESAb), a Defesa Agropecuária mantém ações de vigilância de doenças e pragas que afetam tanto as abelhas do gênero Apis quanto às espécies nativas sem ferrão.
O trabalho inclui vistorias em apiários e meliponários, análise de dados epidemiológicos e acompanhamento das condições sanitárias das criações. Essas informações orientam medidas de prevenção e controle, contribuindo para a proteção das colmeias, a qualidade dos produtos e a sustentabilidade da apicultura e da meliponicultura paulistas.
Entre as atribuições do programa estão o cadastramento de produtores e propriedades, o estabelecimento de critérios sanitários para o trânsito de abelhas, colmeias, produtos e materiais apícolas, além de medidas para reduzir os riscos associados ao uso de agrotóxicos em áreas de alimentação das abelhas e no entorno.
A educação sanitária também integra essa atuação. As orientações são direcionadas a apicultores, meliponicultores, associações e demais entidades do setor, aproximando os produtores das práticas necessárias para prevenir problemas sanitários e manter a regularidade da atividade.
Inspeção na cadeia do mel e dos produtos apícolas
O Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP) conta com 57 unidades de beneficiamento de produtos das abelhas registradas na modalidade industrial.
Na modalidade artesanal, são 333 estabelecimentos registrados em diferentes cadeias produtivas. Desse total, 30 são dedicados ao mel e aos produtos apícolas, além de uma unidade que trabalha com ovos e mel.
Controles sanitários e acesso ao mercado europeu
O trabalho desenvolvido em São Paulo também contribui para demonstrar a qualidade dos controles sanitários brasileiros perante os mercados internacionais. Em 31 de agosto, durante missão da União Europeia na região de Ribeirão Preto, a Defesa Agropecuária apresentou as ações executadas pelo Estado na cadeia do mel.
Foram demonstradas as atividades de vigilância ativa realizadas nos apiários desde 2023, os registros auditáveis de cadastro dos produtores, os mecanismos de rastreabilidade dos produtos apícolas, os controles relacionados ao uso de antimicrobianos e o trabalho de educação sanitária junto aos criadores.
A etapa paulista integrou uma auditoria nacional realizada entre 24 de agosto e 4 de setembro, com avaliações nas cadeias de mel e carne de aves. O relatório final europeu, divulgado em 28 de setembro, considerou satisfatórios os controles brasileiros. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o resultado representa um avanço para a retomada das exportações ao bloco, ainda dependente, naquela atualização, do cumprimento das etapas administrativas europeias.
Ciência a serviço da produção e da conservação
Enquanto a Defesa Agropecuária acompanha as condições sanitárias das criações, a pesquisa paulista busca ampliar o conhecimento sobre as abelhas, aperfeiçoar o manejo e conservar espécies essenciais para os ecossistemas.
Na APTA Regional de Monte Alegre do Sul, um projeto avaliou a instalação de apiários com abelhas Apis mellifera para investigar o potencial apícola da região e sua capacidade de produção de mel. O estudo partiu da constatação de que, apesar da vocação agrícola e ambiental do município, ainda eram escassas as informações sobre o desempenho da atividade local.
De acordo com o pesquisador científico e coordenador da APTA Regional, Daniel Gomes, a geração de informações técnicas é fundamental para fortalecer a atividade e ampliar as oportunidades para os produtores rurais.
“O trabalho também contribui para a compreensão da disponibilidade de recursos florais ao longo do ano e para o desenvolvimento sustentável da apicultura paulista”, destaca.
Em Brotas, outra frente de pesquisa e extensão se dedica às abelhas nativas sem ferrão. A iniciativa promove a meliponicultura sustentável, associando conservação ambiental, educação e geração de renda. As ações incluem capacitações teóricas e práticas sobre criação racional dessas espécies, além de atividades de conscientização sobre sua importância para os ecossistemas.
Coordenado pela pesquisadora científica Carla Cachoni Pizzolante, o projeto reúne instituições de pesquisa, órgãos de assistência técnica, produtores rurais e especialistas. “O objetivo é fortalecer a conservação das abelhas nativas, incentivar sua criação de forma responsável e valorizar o potencial socioeconômico da atividade”, explica.
Já em Piracicaba, a pesquisadora científica Maria Imaculada Zucchi investiga a diversidade genética da abelha jataí (Tetragonisca angustula) em áreas restauradas e fragmentos naturais da Mata Atlântica. O estudo busca produzir informações que contribuam para a conservação dessas populações e para a recuperação ambiental. “O projeto busca compreender como essas populações se comportam geneticamente em ambientes restaurados, contribuindo para ações de conservação e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos de polinização”, ressalta Zucchi.
Diagnóstico e investigação da mortalidade de abelhas
A proteção das abelhas envolve a conservação dos habitats, a atenção às condições climáticas, a prevenção de doenças e a adoção de boas práticas no uso de defensivos agrícolas. Nesse contexto, o Instituto Biológico desenvolve pesquisas e oferece suporte laboratorial às ações de defesa sanitária.
Em atendimento às demandas da Defesa Agropecuária, o IB realiza análises de abelhas mortas para investigar a presença de resíduos de pesticidas. Os resultados contribuem para avaliar possíveis relações entre a mortalidade e a exposição a esses produtos, apoiando a fiscalização e a orientação sobre seu uso responsável.
Participa desse trabalho o Laboratório de Ecologia de Agroquímicos, da Divisão de P&D em Proteção Ambiental. A integração entre investigação laboratorial e acompanhamento em campo ajuda a esclarecer ocorrências e a orientar medidas de proteção dos polinizadores.
Em Pindamonhangaba, o Instituto mantém o Serviço Laboratorial Regional de Pesquisa em Sanidade Apícola, dedicado à criação e ao manejo de abelhas Apis mellifera africanizadas, com foco na saúde das colmeias e no desempenho produtivo.
O serviço realiza diagnósticos de vírus, fungos, bactérias e parasitas que afetam as abelhas, além de desenvolver pesquisas cujos resultados são publicados em revistas científicas e técnicas. Os conhecimentos e as tecnologias gerados são utilizados por produtores de diferentes regiões do Brasil e de outros países que trabalham com abelhas africanizadas.
Abelhas no meio da metrópole
A criação de abelhas também está presente na maior cidade brasileira. O município de São Paulo reúne 10 apiários, com 193 colmeias, e 141 meliponários, com 2.257 colmeias. Ao todo, são 2.450 colmeias na capital, com destaque para a criação de abelhas nativas sem ferrão.
A pesquisa com polinizadores também está presente no cafezal urbano do Instituto Biológico, na capital paulista. A área funciona como espaço experimental para práticas de agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e incentivo à biodiversidade. Entre os aspectos acompanhados pelos pesquisadores está a diversidade de abelhas, incluindo espécies nativas sem ferrão.
O monitoramento identificou, além de Apis mellifera, abelhas pertencentes a oito gêneros. Os estudos buscam compreender como as práticas de manejo favorecem esses polinizadores e como sua presença pode contribuir para a produtividade e a qualidade do café.
O trabalho aproxima a pesquisa agrícola da realidade urbana e mostra que a conservação de áreas verdes também pode oferecer condições para a presença de polinizadores nas cidades.
Conheça as abelhas no Planeta Inseto
Além da pesquisa e da vigilância sanitária, a educação ambiental ajuda a aproximar a população do universo das abelhas. No Museu do Instituto Biológico, em São Paulo, a exposição permanente Planeta Inseto oferece a oportunidade de observar esses animais e conhecer sua importância para o ambiente e a produção de alimentos.
Entre as atrações está o Recanto das Abelhas, que possui uma colônia de iraí, espécie nativa sem ferrão. O espaço conta com uma sala equipada com câmeras que permitem acompanhar, ao vivo, sua organização e funcionamento.
Nas espécies sociais, a divisão de tarefas garante a manutenção da comunidade. A rainha é responsável pela postura dos ovos, enquanto as operárias desempenham atividades como cuidar das larvas, defender a colônia e coletar néctar e pólen. Os machos, conhecidos como zangões nas abelhas Apis, participam da reprodução.
A visitação ao Planeta Inseto é gratuita e ocorre de terça a domingo, das 9h às 16h. O Museu do Instituto Biológico fica na Avenida Dr. Dante Pazzanese, 64, na Vila Mariana, em São Paulo.
Informações: Lisley Silvério (Comunicação APTA Regional) e Tânia Paes (Comunicação Instituto Biológico)