
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou duramente a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Segundo o chanceler, a cobrança extra anunciada por Washington é uma retaliação porque o Brasil se recusou a aceitar exigências abusivas feitas pelo presidente Donald Trump.
Vieira afirmou que, durante as rodadas de negociações comerciais, a equipe norte-americana exigiu que o Brasil abrisse setores inteiros de sua economia para empresas dos EUA de forma exclusiva, sem oferecer nenhuma contrapartida ou facilidade para as mercadorias brasileiras. "Exigiam a capitulação do país", declarou o ministro em coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty.
O chanceler brasileiro também desmentiu as justificativas usadas pelos EUA para abrir a investigação comercial (Seção 301). Ele argumentou que as alegações de concorrência desleal por conta do Pix e do desmatamento na Amazônia e Cerrado não fazem sentido.
"O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado."
O governo brasileiro agora estuda dois caminhos para responder à investida dos EUA: adotar medidas de retaliação imediata contra produtos americanos usando a Lei de Reciprocidade, ou manter os esforços diplomáticos nos bastidores para tentar negociar a suspensão das tarifas que começaram a ser aplicadas na noite de ontem.
Fonte: Estadão