
Ao longo do 1° semestre de 2026 foram abatidas 3,65 mi de cabeças de bovinos mato-grossenses, crescimento de 3,58% em comparação com o mesmo período de 2025 e o maior volume já registrado para um primeiro semestre. Desse total, os abates de machos somaram 1,81 mi de cabeças, avanço de 13,05% frente ao 1° sem./25, enquanto os de fêmeas recuaram 4,26%, totalizando 1,85 mi de cabeças.
Segundo realtório do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), esse cenário reforça o momento de transição do ciclo pecuário, ao mesmo tempo que a demanda aquecida por carne bovina, sobretudo no mercado externo, elevou a procura por machos terminados. Além disso, a antecipação das exportações para a China antes do esgotamento da cota tarifária intensificou a disputa entre os frigoríficos e sustentou o elevado volume de abates. Assim, a menor oferta de animais deve continuar dando suporte às cotações da arroba em 2026, apesar da expectativa de acomodação no terceiro trimestre com a desaceleração dos embarques para a China.
Na última semana, as escalas de abate em MT totalizaram média de 10,77 dias úteis, queda de 2,44%, reflexo de um ajuste operacional por parte dos frigoríficos. Com a pressão exercida pela queda da arroba do boi gordo, a novilha desvalorizou 3,35% no comparativo semanal, sendo cotada a R$ 11,28/kg. Devido ao recuo mais acentuado da arroba em Mato Grosso, o diferencial de base MTSP caiu 0,22 p.p. ante a semana passada, fechando, em média, em -5,89%.
Exportações de carne bovina de MT registraram recorde de volume e de receita para o período
As exportações totalizaram 511,75 mil em TEC e US$ 2,41 bi em receita, avanços de 38,76% e 63,82%, respectivamente, frente ao 1°semestre de 2025, impulsionadas pela forte demanda internacional, especialmente da China. Contudo, o avanço do preenchimento da cota de salvaguarda chinesa mantém o mercado em alerta, devido à tendência de redução do ritmo das importações no 2°sem./26.
Diante desse cenário, algumas indústrias já sinalizam ajustes no ritmo de abates e da produção. Na última semana de jun./26, o indicador do boi gordo a prazo recuou 2,00% (-R$ 6,62/@), pressionado pela menor atuação de algumas plantas exportadoras e por um movimento de acomodação após as fortes valorizações registradas no 1º sem./26. Ainda assim, a oferta restrita de animais terminados deve continuar limitando quedas mais intensas nas cotações da arroba no curto prazo.

Informações: Imea