A cúpula do Banco Central explicitou, no Relatório de Política Monetária (RPM) do 2º trimestre, que passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas recentemente pelo governo federal como um risco altista para a inflação, pelo seu potencial de estimular a demanda agregada.
"Essas medidas, de caráter fiscal ou de crédito, passam a ser consideradas no cenário de referência apenas quando recentemente aprovadas. Mas, mesmo nesse caso, permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política", diz o texto.
Na ata da reunião de junho, publicada na última terça-feira, 23, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que passou a considerar seu balanço de riscos para a inflação assimétrico para cima - ou seja, que há mais chances de o IPCA superar do que ficar abaixo da trajetória do cenário de referência.
A principal novidade do balanço havia sido um quarto risco altista: "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária". Até agora, o BC não havia explicitado que essa preocupação era com os programas eleitorais do governo.
O BC explicou que, embora a incerteza sobre o impacto de políticas fiscais e de crédito seja comum, a relevância das dúvidas é "exacerbada" devido ao grande conjunto de ações.