
Começou na última segunda-feira (08.06) o período do Vazio Sanitário da soja em Mato Grosso. Durante 90 dias, é proibido o manejo da soja para impedir a continuidade do ciclo da ferrugem asiática, sendo autorizado o plantio a partir do dia 7 de setembro. A ferrugem asiática é causada por um fungo (Phakopsora pachyrhizi) que acomete a cultura da soja, causando danos às folhas e prejudicando o processo de enchimento dos grãos da planta. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça a importância de seguir o calendário determinado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O fungo se instala nas folhas da soja, causando sua destruição e queda. Com isso, compromete o processo de fotossíntese da planta e causa prejuízos durante o enchimento dos grãos. No final, a doença impede o desenvolvimento adequado da cultura e ocasiona perdas na produtividade.
Essa proibição interrompe o ciclo da ferrugem asiática e previne o produtor rural contra a doença na próxima safra. O vice-coordenador da Comissão de Defesa Agrícola, Gilson Antunes de Melo, destacou que, para que a ferrugem asiática não prejudique a plantação no futuro e comprometa a renda do produtor, é fundamental seguir a medida.
“Então, quando se implanta a nova cultura, os fungos vão estar nas outras plantas e já vão começar a fazer os danos. É importante que o produtor não deixe essas plantas voluntárias vivas para não manter esse ciclo, para que ele seja interrompido e não haja problemas com doenças nem pragas tão cedo na implantação da nova cultura”, alertou.
Além dos cuidados com o manejo da soja, o período proibitivo também estabelece medidas para o transporte de grãos e sementes. Os veículos devem ser fechados adequadamente para evitar o derramamento e, consequentemente, a germinação nas margens das rodovias durante o período, como explicou Gilson.
“O controle do transporte é bem rigoroso e realizado pelo Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT). Os caminhões devem estar bem fechados, lacrados, com documentação em dia, nota fiscal e sem derramamento de grãos nas rodovias. Além disso, o Indea realiza inspeções e barreiras sanitárias diretamente nas estradas para impedir transportes irregulares que possam comprometer o período do Vazio Sanitário”, explicou.
Há quase 20 anos, o Vazio Sanitário tornou-se uma medida fundamental para garantir uma boa produção. Todo esse cuidado com o fungo causador da ferrugem asiática ocorre porque ela é considerada uma das doenças mais severas para a cultura da soja, como explicou a pesquisadora do Centro Tecnológico Parecis (CTECNO Parecis), Daniela Facco.
“A partir do momento em que ela aparece na lavoura, se não for controlada adequadamente, tem uma evolução rápida, provocando a desfolha precoce das plantas. Isso reduz o enchimento dos grãos, diminui a capacidade produtiva da cultura, reduz a produtividade da lavoura e, consequentemente, a rentabilidade do produtor”, disse.
A Aprosoja MT reforça a importância para que os produtores rurais sigam as determinações do Vazio Sanitário e mantenham atenção às orientações dos órgãos de defesa agropecuária. O cumprimento das regras é fundamental para proteger as lavouras, preservar a competitividade da soja mato-grossense e garantir a segurança da produção nas próximas safras.