Pecuária

Brasil pretende ser zona livre de aftosa sem vacinação até 2021

Doença está erradicada no país desde 2006 e Santa Catarina é considerada zona livre sem vacinação

04/09/2019 - 16:37 | Por Rafaela Flôr - SBA

A segunda campanha de vacinação contra a aftosa, que usará a nova dosagem - de 2ml - terá início no dia 1 de novembro.  A alteração ocorreu na primeira campanha de aplicação em maio deste ano, com o objetivo de evitar reações adversas nos animais vacinados (reação vacinal). A prevenção ocorre por meio do vírus da doença incubado e protege o animal da contaminação. O resultado efetivo é dado a partir de 14 a 21 dias após aplicada.

Em entrevista ao Canal do Boi, o chefe da Divisão da Febre Aftosa (Difa) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Diego Viali afirma que a doença está erradicada no país e a proposta para reduzir a dosagem foi feita em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Mapa. “No Brasil, o último registro foi no ano de 2006, no Paraná, mas a doença está erradicada em todo o Brasil. Na América do Sul, apenas a Venezuela e a Colômbia ainda não conseguiram erradicar a doença nos seus territórios”. 

Em outubro, o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) iniciará consulta pública sobre as novas diretrizes do combate à doença para atualizar a legislação e atender as mudanças no Código de Animais Terrestres da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Esta atualização faz parte do Plano Estratégico 2017-2026 e é a primeira, de 16 operações previstas. A última ocorreu em 2007.

No primeiro fórum realizado pelo PNEFA na Expointer 2019, que faz parte da programação do primeiro ciclo do Plano, foi discutido também sobre os fundos de indenização ao produtor que tiver prejuízos por causa de animais doentes e que precisarão ser abatidos. As normas que entrarão em consulta serão sobre controle de origem animal, restrição à movimentação de rebanhos entre as áreas livres com e sem vacinação, e adesão ao conceito do código da OIE, chamado zona de contenção, que permite ao país isolar a área afetada para manter a condição sanitária, comercialização e movimentação dos rebanhos no restante do país.

A primeira campanha de vacinação começou em maio deste ano na maioria dos estados e foi administrada nos bovinos e bubalinos de todas as idades, com exceção do Amapá e Santa Catarina, sendo este o único estado livre da aftosa sem vacinação desde 2000. A segunda campanha será direcionada aos animais de até 24 meses, exceto no Acre, Espírito Santo, Paraná e Roraima.

O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) como país livre da aftosa com vacinação e está no processo para obter o status de zona livre sem a vacina. Para isto, o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) organizou os estados em cinco blocos para cumprir campanhas de vacinação até maio de 2021.

Elaborado por: Rafaela Flôr / Fonte: Mapa


Sobre a doença 

A febre aftosa é causada por um vírus e transmitida por meio de saliva, no leite, nas fezes e via aérea em casos de clima favorável para a proliferação. As espécies acometidas pela doença, em geral, são os bovinos, ovinos, suínos e caprinos. Animais silvestres que contraem o vírus são os de cascos fendidos, como, por exemplo, capivaras, elefantes e outros. As espécies de camelídeos (camelos, lhamas, alpacas, guanacos e vicunhas) também podem adquirir a aftosa. 

De acordo com documento organizado pelo Departamento de Saúde Animal do PNEFA, os sintomas aparentes da doença, que podem ser detectados pelo criador por observação dos animais, no geral, são aftas na boca e na gengiva, feridas nas patas e nas mamas e os animais perdem peso, apresentam dificuldade para pastar e produzir leite. 

Os bovinos, especificamente, apresentam salivação excessiva, febre, isolamento dos outros animais e posteriormente se deitam. No caso dos ovinos e caprinos os sintomas são manqueira, tendência a se deitar e não levantar, severa laminite. Os sinais detectáveis pela boca são menos frequentes. Os suínos, quando doentes, têm febre, inquietação, laminite aguda, dificuldade para se alimentar e podem apresentar aftas no focinho e na língua. Se observados indícios da doença, o departamento instrui que seja chamado um médico veterinário para confirmar e realizar os trâmites necessários de desinfecção.

O calor, a baixa umidade, a luz solar e desinfetantes específicos podem destruir o vírus, mas é comum que os criadores adotem o sacrifício sanitário dos animais doentes para evitar a proliferação do vírus e eliminam as fontes de infecção para impedir que o vírus se alastre para outras fazendas.
 

Texto com supervisão de Adriano Falleiros.

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