A semeadura do algodão terminou em fevereiro e, na primeira quinzena de março, a Conab apresentou seu sexto relatório de acompanhamento da safra brasileira de grãos. Segundo análise da Scot Consultoria, a produção foi revisada para baixo com as expectativas de área e produtividade menores em relação a fevereiro.
A produtividade por hectare está estimada em 4,5 mil toneladas (pluma e caroço), e deverá ser 3,6% menor que a da última safra. A redução tem relação com a precipitação mais elevada no período de semeadura e desenvolvimento, em relação ao ano passado. A estimativa para a safra é de 2 milhões de hectares semeados, menor que na safra anterior, que fora de 2,1 milhões de hectares. Com área menor, a produção está estimada em 9,1 milhões de hectares – queda de 6,9% em relação a 2025.
Para 2026, a demanda (exportação e consumo interno) pela pluma de algodão deverá ser de 204,0 mil toneladas (Conab), aumento de 5,4% em relação ao ciclo passado. Com o aumento de demanda e redução na produção, os estoques finais deverão cair 5,6% (tabela 1).
Tabela 1.
Balanço de oferta e demanda para o algodão em pluma no Brasil, em mil toneladas.
| SAFRA |
ESTOQUE INICIAL |
PRODUÇÃO |
IMPORTAÇÃO |
SUPRIMENTO |
CONSUMO |
EXPORTAÇÃO |
DEMANDA TOTAL |
ESTOQUE FINAL |
| 2019/20 |
1.427,3 |
3.001,6 |
2,2 |
4.431,1 |
690,0 |
2.125,4 |
2.815,4 |
1.615,7 |
| 2020/21 |
1.615,7 |
2.359,0 |
4,6 |
3.979,3 |
720,0 |
2.016,6 |
2.736,6 |
1.242,7 |
| 2021/22 |
1.242,7 |
2.554,1 |
2,3 |
3.799,1 |
675,0 |
1.803,7 |
2.478,7 |
1.320,4 |
| 2022/23 |
1.320,4 |
3.173,3 |
1,7 |
4.495,4 |
710,0 |
1.618,2 |
2.328,2 |
2.167,2 |
| 2023/24 |
2.167,2 |
3.701,1 |
1,1 |
5.869,4 |
695,0 |
2.774,3 |
3.469,3 |
2.400,1 |
| 2024/25 |
2.400,1 |
4.076,1 |
0,8 |
6.477,0 |
720,0 |
3.026,0 |
3.746,0 |
2.731,0 |
| 2025/26 |
2.731,0 (fev) |
3.803,0 |
1,0 |
6.535,0 |
720,0 |
3.045,0 |
3.765,0 |
2.770,0 |
| 2.731,0 (mar) |
3.795,1 |
1,0 |
6.527,1 |
725,0 |
3.225,0 |
3.950,0 |
2.577,1 |
Fonte: Conab
O que esperar do preço no curto prazo?
Com a safra 2025/26 em desenvolvimento, estamos na entressafra e, consequentemente, há menor oferta de pluma disponível no mercado. Com a oferta menor, os preços, desde o início de 2026, estavam entre R$115,00 a R$120,00 por arroba. Desde o início de março, o mercado está firme e em alta e rompeu o teto até então, chegando ao maior preço em 2026 – R$123,43/@.
Figura 1.
Cotação do algodão em pluma, em R$/@, em valores nominais.

Fonte: CEPEA / Esalq. Elaboração: Scot Consultoria
Os motivos? A guerra no Oriente Médio e os impactos do preço do barril de petróleo. A cotação do barril de petróleo está relacionada com o preço das fibras sintéticas, que derivam do processo de refino do petróleo e concorrem com as fibras naturais, sendo a principal, o algodão. Com o confronto e com o aumento dos preços do petróleo, a procura pela pluma cresceu – elevando as cotações. Com o quadro atual, a expectativa é de mercado firme e em alta para os preços no curto prazo. Essa perspectiva, porém, poderá ser limitada pela perspectiva de oferta global em 2026.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) estima que a produção será menor do que a demanda, elevando os estoques globais.
Tabela 2.
Estimativa de produção, consumo e estoques finais de algodão em pluma no mundo, em milhões de toneladas, e a relação entre o estoque e o consumo.
| Critério |
2023/24 |
2024/25 |
2025/26 (mar) |
| Produção |
24,44 |
25,81 |
26,34 |
| Consumo doméstico |
25,03 |
25,90 |
25,82 |
| Estoques finais |
15,96 |
16,06 |
16,63 |
| Relação estoque/consumo (%) |
63,75% |
62,01% |
64,42% |
Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria
Esperemos para ver, qual força pesará mais na balança do mercado neste momento.
Informações: Scot Consultoria