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Economia

Conselho Monetário Nacional publica resoluções que regulamentam Plano Safra 2020/2021

Informações estão no boletim semanal da CNA que contempla período entre 29 de junho e a última sexta-feira (03)

06/07/2020 - 13:38 | Por CNA - | Siga-nos no Google News

O Conselho Monetário Nacional publicou uma série de resoluções que normatizam os anúncios feitos no Plano Agrícola e Pecuário 2020/2021, informa a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em seu boletim semanal, com informações coletadas no período de 29 de junho a 3 de julho.

Outro ponto observado nesta semana foi que o mercado de açúcar segue aquecido com a retração dos preços do etanol diante do impacto da pandemia. A publicação mostra que o Brasil exportou, em junho, 3 milhões de toneladas de açúcares e melaços, 95,19% a mais que o volume embarcado no mesmo mês de 2019.

No início da safra 2020/2021, o boletim aponta queda na produção e nas vendas de etanol e crescimento na produção de açúcar no início da safra 2020/2021.

No cenário internacional, o boletim traz relatos de acontecimentos desta semana que envolveram Brasil, Mercosul, China, União Europeia, além de informações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Plano Agrícola e Pecuário
O Conselho Monetário Nacional divulgou as resoluções (4.823 a 4.836) que normatizam os anúncios feitos no Plano Agrícola e Pecuário 2020/2021. As contratações de crédito da nova safra iniciaram dia 1º de julho.

O Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia fizeram seus eventos de lançamento de safra na última semana.

O Banco do Brasil disponibilizará R$ 103 bilhões para a safra 2020/2021, volume 11,3% superior ao da safra passada. Do total, serão destinados R$ 61 bilhões para custeio, R$ 14,2 bilhões para comercialização, R$ 17,5 bilhões para investimento e R$ 10,3 bilhões para empresas do setor do agro. 

Dentro desses recursos totais, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp) terá R$ 14,4 bilhões. Para os pequenos produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) serão disponibilizados R$ 13,7 bilhões.

Quanto ao Banco do Nordeste, o volume de recursos será de R$ 8,26 bilhões, um aumento de 6% em relação ao orçamento da safra passada. Desse total, R$ 3,2 bilhões serão para financiamento de custeio, R$ 1,4 bilhão para investimento e R$ 160 milhões para comercialização. Para os pequenos produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o montante é de R$ 3,5 bilhões.

O Banco da Amazônia disponibilizará R$ 5 bilhões para toda a região amazônica, 25% a mais que no Plano Safra 2019/2020. Para os agricultores que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), as taxas de juros praticadas serão de 2,75% a 4% ao ano. 

Para o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), as taxas para contratação de custeio serão de 4,4% para mini e pequenos produtores, 4,65% para médios e 4,86% para grandes produtores, ao ano.

Frutas e Hortaliças
Os produtores de banana que vêm de um período ruim desde o início da pandemia devido à queda na demanda pelo produto e consequente redução de preço, agora amargam prejuízos ainda maiores com a destruição das lavouras em plena safra, devido à passagem do ciclone em Santa Catarina, Paraná e no Vale do Ribeira (SP).

No que se refere às tendências, nos primeiros meses da crise, já ficou evidente que os produtores que buscaram formas alternativas de comercialização foram menos impactados. A implementação da rastreabilidade, a melhoria das embalagens e a utilização de plataformas eletrônicas foram determinantes na resiliência desses produtores.

Flores e Plantas Ornamentais
O setor de flores de corte ainda opera em 40% do faturamento em relação a um ano normal. Ainda sem expectativas da retomada de eventos no curto prazo, produtores trabalham para reduzir custos e parte deles está diversificando a produção e buscando alternativas de comércio em meios digitais. Para os demais tipos de flores, o comércio está normalizado.

Commodities
Com os preços do etanol retraídos devido aos impactos da pandemia, o mercado de açúcar segue aquecido. O Brasil exportou em junho 3 milhões de toneladas de açúcares e melaços, 95,19% a mais que o volume embarcado no mesmo mês de 2019.

Com clima mais seco e maior velocidade da moagem, a área colhida até a 1ª quinzena de junho deste ano apresentou crescimento de 8,8%. A produção de açúcar cresceu 57% e a de etanol teve queda de 3,7% no comparativo com a safra 2019/2020.

No acumulado desde o início da safra 2020/2021, até 16 de junho, as vendas de etanol pelas empresas do Centro-Sul acumularam retração de 24,83%.

O aumento acentuado dos casos de Covid-19 em Mato Grosso tem gerado preocupações quanto às operações da segunda safra de milho e algodão, visto que houve casos pontuais de afastamento de trabalhadores contaminados.

Na cafeicultura, diante da pandemia, o Sistema Faemg/Senar amplia no Sul de Minas as capacitações de produtores e trabalhadores rurais por vídeo-aula.

Sem grandes impactos da pandemia, consultorias estimam que, até o final de junho, a safra de café (arábica e conilon) se aproximou de 50% do volume colhido, com ritmo mais lento em relação ao mesmo período do ano passado quando 60% do volume já tinham sido colhidos.

Com o adiantar da safra de conilon, o estado de Rondônia praticamente encerrou a colheita. No entanto, no Espírito Santo a safra continua em andamento. Estima-se que 70% da produção da espécie tenha sido colhida.

No caso do café arábica, estima-se que a colheita se encontra próxima de 40%. No mesmo período de 2019, mais de 50% do volume produzido da espécie já tinha sido colhido até o final de julho.

E apesar dos questionamentos em relação à redução do consumo, o mercado reage diante das previsões de geadas para as regiões produtoras do Brasil e acumula altas na semana.

Aves e suínos
O mercado para o frango de corte continua aquecido com a retomada das atividades nos grandes centros, porém com estabilidade no preço pago ao produtor independente. Em contrapartida, o consumo aquecido da carne de frango tem motivado a queda do consumo e do preço pago ao produtor de ovos, que fechou o mês de junho com desvalorização acumulada de 23% em relação a maio.

No mercado da suinocultura independente, houve estabilidade em Minas Gerais e retomada nos preços nas bolsas de Santa Catarina (+0,21%), São Paulo (+5,6%), Paraná (+1,2%) e Rio Grande do Sul (+1,4%).

Lácteos
Após semanas de aumento na demanda por produtos lácteos sem reflexo nos preços pagos ao produtor, o leite entregue em junho a ser pago em julho sofreu reajuste em algumas regiões. Em Minas Gerais, houve aumento de cerca de 10% no preço, próximo ao que o Conseleite-MG havia sinalizado (+13,7%).

O início da safra na região Sul causou um aumento na captação do leite regional, desvalorizando o leite spot em relação à segunda quinzena de junho. No Paraná, a queda foi de 4%, em Santa Catarina, 4,5%, e no Rio Grande do Sul, 6,0%.

Em relação às commodities lácteas, a média do preço do leite UHT de junho fechou 10% superior ao mês de maio. A muçarela continua com preços elevados, sendo negociado a R$ 24,31/ kg, devido aos estoques baixos dos laticínios.

Boi Gordo
Influenciadas pela pandemia de Covid-19, foi noticiado o cancelamento de habilitação de exportação para China devido à necessidade de assinatura de documentos que garantam a inocuidade do alimento. O Mapa publicou normas para regulamentar o trabalho, as quais já vêm sendo seguidas pelas indústrias.

Quanto ao comportamento do mercado, a oferta restrita de animais gordos mesmo no final da safra de capim fez com que ocorresse maior valorização da @, forçando com que os frigoríficos pagassem acima de 220 reais por arroba em São Paulo. Animais mais precoces, destinados à China, foram negociados próximos a R$ 225/@, enquanto os animais destinados ao mercado interno foram comercializados a R$ 215/@.

O preço da carcaça alcançou valores acima dos praticados no início do ano e a expectativa para os meses de julho e agosto é de altas ainda maiores, haja vista a falta de planejamento para confinamento dos animais associada à baixa disponibilidade atual.

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