A política monetária restritiva, com juros em patamares elevados, é um dos principais fatores por trás da perda de dinamismo da indústria, na avaliação de André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal, registrando a retração mais intensa para o mês desde 2022, quando recuou 1,6%.
Segundo Macedo, o custo mais alto do crédito restringe o acesso de famílias e empresas ao financiamento, afeta o consumo e leva ao adiamento de investimentos.
"A taxa de juros mais elevada tem impacto direto sobre as condições do crédito, com o seu encarecimento, restringindo esse acesso ao crédito, com impacto direto também no nível de renda das famílias por conta do alto nível de inadimplência. Por parte das empresas, também há o efeito de adiarem suas decisões de investimento", afirmou.
O gerente também apontou que as incertezas relacionadas ao ambiente externo e ao cenário eleitoral podem ter contribuído para o desempenho industrial. Segundo Macedo, esses fatores vêm trazendo incertezas para a produção doméstica ao longo do ano e ajudam a explicar o movimento de desaceleração observado desde o início do segundo quadrimestre. "O ambiente externo também vem trazendo impactos ao longo do ano, trazendo incertezas sobre a produção doméstica", disse.
Sobre o cenário eleitoral, o pesquisador indicou que a incerteza também pode ter exercido alguma influência sobre os resultados.
Macedo ponderou que fatores pontuais também afetaram a produção em setembro, especialmente as condições climáticas. O maior volume de chuvas prejudicou segmentos como o de derivados do petróleo e biocombustíveis e o de produtos alimentícios, em função dos impactos sobre o processamento da safra de cana-de-açúcar.
O gerente ressaltou, contudo, que esses efeitos específicos não alteram a avaliação sobre o principal fator por trás da perda de dinamismo industrial. "Essas questões pontuais vão afetando aqui e acolá, mas tem um plano de fundo maior, que é a questão da taxa de juros, da política monetária, que tem aspectos relevantes para o entendimento dessa menor intensidade para a produção industrial", concluiu.