Carta Insumos - Newcastle no Brasil: medidas para a prevenção

Ocorrência de novos focos reforça a importância da prevenção, especialmente em regiões de grande participação na exportação brasileira, como o Sul do país

05/11/2026 às 12:16 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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A doença de Newcastle é uma enfermidade viral, altamente contagiosa, sem tratamento e de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A doença é causada pelo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1) e acomete principalmente aves domésticas e silvestres, mas também pode infectar répteis e mamíferos, incluindo os seres humanos.

Segundo análise da Scot Consultoria, a gravidade varia conforme a cepa viral. As mais patogênicas podem provocar sinais respiratórios, diarreia, torcicolo, paralisia e alta mortalidade. A transmissão ocorre pelo contato direto entre aves, por secreções respiratórias e fezes, ou indiretamente, por água, alimentos, equipamentos e ambientes contaminados.

A doença era considerada erradicada no país desde 2006. No entanto, em 2024, foi confirmado um foco em uma granja comercial de frangos de corte no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o MAPA suspendeu temporariamente as exportações de carne e derivados de frango, com restrições que variaram conforme o país e o produto, abrangendo todo o território nacional, o estado ou o raio da localidade do foco.

Em 18 de outubro de 2026, o MAPA confirmou um novo foco em Santa Catarina, no município de Nova Itaberaba, em um estabelecimento comercial de criação de perus, de corte. No decorrer do mês, outros dois casos foram detectados, em Coronel Freitas e Nova Erechim. Em 3 de novembro, uma quarta detecção foi registrada, novamente em Nova Erechim.

Após o caso de 2024, o MAPA, juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, intensificou as negociações com parceiros comerciais para regionalizar as restrições. A estratégia apresentou resultados no novo surto. A China, por exemplo, que em 2024 havia suspendido as compras de todo o Brasil, dessa vez restringiu as importações apenas de Santa Catarina.

Em 2026, até a última atualização, em 4/11, as suspensões em todo o território nacional eram mantidas por Uruguai e Malásia. O México, que inicialmente também integrava esse grupo, passou a restringir as compras apenas de Santa Catarina após negociação. No âmbito estadual, as restrições eram mantidas por China, Chile, Peru e Turquia, além de outros sete países. Já na área sob controle sanitário, as restrições envolviam Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, Reino Unido e outros 23 mercados.

Vale destacar que a região Sul responde por aproximadamente 80,0% das exportações brasileiras de aves e derivados. Com isso, o impacto econômico, não só para a propriedade ou região acometida, como em nível nacional, tende a impactar o setor.

Diante desse cenário, a prevenção é fundamental. Entre as medidas estão evitar o contato das aves com animais potencialmente contaminados, restringir a entrada de visitantes e manter o manejo sanitário adequado, incluindo o vazio sanitário.

A vacinação é uma das principais medidas preventivas, com programas que variam conforme o sistema de produção. Algumas vacinas são administradas por via subcutânea em pintos de um dia ou in ovo, em ovos com 18 dias de incubação. Outras podem ser aplicadas por pulverização, nebulização, água de bebida ou pelas vias nasal e ocular. Dependendo do programa sanitário, os reforços podem ocorrer a cada 40 a 60 dias.

Como exemplo, uma vacina viva atenuada indicada para frangos de corte a partir do primeiro dia de vida pode ser administrada por pulverização ou nebulização, utilizando 200mL de diluente para cada 1.000 aves. Na pulverização, as gotículas devem ter de 0,12 a 0,15mm e atingir diretamente as aves. Já na nebulização, devem ter aproximadamente 0,05mm, sem aplicação direta sobre as aves, mantendo a ventilação desligada durante a aplicação e por mais 20 minutos.

Essa mesma vacina pode ser administrada na água de bebida, com uma dose por ave. Para cada 1.000 aves, o volume varia de 7 a 10 litros, entre 1 e 4 semanas de idade; 20 litros, entre 4 e 8 semanas; e 40 litros, acima de 8 semanas. Outra alternativa é a aplicação de uma gota por ave, pelas vias nasal ou ocular. Considerando um frasco de 2.000 doses, com preço médio de R$193,22, o custo é de aproximadamente R$0,10 por ave, sem incluir despesas operacionais.

A combinação de vacinação e medidas de biosseguridade é essencial para evitar novos focos e reduzir o risco de restrições às exportações de carne de frango e derivados.

 

Informações: Scot Consultoria


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