Na volta do feriado, o Ibovespa abriu a terça-feira, 3, em queda e logo renovou mínimas, chegando a ceder para o nível de 165 mil, após máxima na casa dos 168 mil pontos. O recuo ocorre apesar da alta da maioria das bolsas de Nova York e antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, do payroll dos Estados Unidos, na sexta-feira, e em meio ao recrudescimento das incertezas fiscais no Brasil.
Além disso, a safra de balanços prossegue no radar. Hoje sai o resultado trimestral do Itaú Unibanco.
Diante das dúvidas com relação à trajetória da dívida pública no País e quanto a nomes que vão compor a equipe econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de 2027, o mercado financeiro e alguns economistas passaram a ver uma possibilidade grande de manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira. Ainda pesam no Índice Bovespa as quedas do petróleo - o Brent cai 1,15% (US$ 103,55) - e de 0,74% do minério de ferro.
A postura defensiva na Bolsa acompanha a valorização do dólar ante o real e o avanço dos juros futuros, em meio ainda à piora das projeções para a taxa Selic e inflação no boletim Focus, principalmente.
Segundo Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, o mercado abre a semana ainda sob o impacto da reprecificação pós-eleição, mas com reforço de algumas notícias. Ele cita, como exemplo, proposta monetária e fiscal defendida pelo economista André Lara Resende - de redução gradual da Selic, com apoio de parte do governo -, além de relatos de uma gestão com nomes mais heterodoxos para a equipe econômica no Lula 4.
De acordo com Chicoli, a dinâmica segue marcada pela incerteza sobre o perfil do próximo governo Lula, pela espera por sinalizações do programa e principalmente dos nomes da equipe econômica. "Em momentos de incerteza, de volatilidade, os investidores ficam mais vendedores do que compradores."
Conforme Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, mesmo com a Fazenda negando a reunião do governo com Lara Resende e qualquer estudo de tabelamento da Selic, o apoio público de nomes próximos ao presidente à proposta já basta para pressionar o câmbio e a parte longa da curva. "A abertura confirmou isso. O Focus de hoje também mostra a piora, com a Selic esperada para o fim de 2027 subindo de 11,75% para 12,50%", afirma.
Na pesquisa Focus, a mediana para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%; para 2027, avançou de 4,34% para 4,76%; para 2028, passou de 3,75% para 4%; para 2029 saiu de 3,50% para 3,99%. A estimativa para Selic em 2026 subiu de 13,25% para 13,50%; para 2027, de 11,75% para 12,50%; para 2028 foi de 10% para 11%; para 2029, de 10% para 10,25%.
Ainda houve alteração na projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa para o PIB de 2026 saiu de 1,80% para 1,76% e passou de 1,31% para 1,20% em 2027. Em relação ao dólar, a projeção avançou de R$ 5,05% para R$ 5,34 em 2026 e de R$ 5,15 para R$ 5,40 para 2027.
Diante da proposta do economista André Lara Resende para um novo regime fiscal e monetário no País, com a redução gradual da taxa básica de juros, reacendeu no PT a disputa sobre os rumos do quarto mandato do presidente Lula, depois de jornal O Globo noticiar que o economista e Lula devem se encontrar nesta semana.
Em nota, o presidente do PT nacional, Edinho Silva, criticou o que chamou de "especulações na área econômica" e reforçou que apenas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pode falar pelo governo na área econômica.
Ainda no plano fiscal, nesta manhã, Durigan disse que terá uma reunião hoje com o presidente Lula para despachar a medida provisória do Imposto Seletivo, que pode ser enviada ainda hoje para o Congresso.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Caiu 9,88% em outubro, a maior queda mensal desde junho de 2022, e cedeu 18,12% na semana)
Com este cenário, segundo Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, há espaço para recuperação, mas a falta de ação do governo amplia a incerteza sobre um ajuste fiscal. Ele acrescenta que a proposta monetária e fiscal defendida por Lara Resende, com apoio de parte do governo - provoca ajustes nos ativos.
Às 11h52, o Ibovespa recuava 1,90%, aos 164.728,28 pontos, após marcar mínima de 164.446,53 pontos (-2,07%) e abrir em 167.917,30 pontos (-0,01%) e máxima em 168.005,46 (+0,05%).
Nos EUA, investidores acompanham as eleições de meio de mandato no país, enquanto monitoram sinais de avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.