Boulos defende corte em privilégios e diz a jornal que mercado faz 'chantagem' em debate fiscal

31/10/2026 às 14:51 atualizado por Maria Regina Silva* - Estadão | Siga-nos no Google News
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou ver uma "chantagem do mercado" no debate sobre o ajuste fiscal do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele defendeu que eventuais cortes de gastos sejam direcionados a privilégios, e não a políticas que atinjam a população mais pobre.

"Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular. Isso é anular a democracia", disse o ministro.

Segundo Boulos, a discussão sobre medidas de economia deve incluir a revisão de desonerações fiscais, o enfrentamento de supersalários e mudanças nas emendas parlamentares impositivas.

Ele afirmou que o foco deve estar em reduzir benefícios e distorções que pressionam o Orçamento.

"O corte que queremos é em privilégios: temos quase R$ 600 bilhões por ano em desonerações fiscais", afirmou Boulos.

Ao tratar das emendas impositivas, acrescentou: "Só aí tem R$ 61 bilhões."

As declarações ocorrem em um contexto de deterioração dos indicadores da dívida pública. De acordo com a reportagem, do fim de 2022 a julho de 2026, a dívida do setor público passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 82,5%.

Boulos sustentou que a análise da trajetória brasileira deve ser feita em comparação com outras economias e afirmou que parte do mercado tenta impor ao País uma agenda centrada em cortes que recaem sobre serviços e despesas voltadas à população.

Campo político e sustentação

No campo político, o ministro minimizou o debate sobre sucessão presidencial e defendeu que o foco do campo progressista, neste momento, deve ser a sustentação do próximo ciclo de governo.

Para Boulos, discutir nomes agora "só serve à divisão interna na esquerda e no governo", e a prioridade seria assegurar um "mandato biográfico" para a quarta passagem de Lula pelo Palácio do Planalto.

Ele também afirmou que a governabilidade não dependerá apenas da articulação institucional com Congresso e Judiciário, mas deverá incorporar mobilização social e disputa de comunicação. "Precisaremos governar com as ruas e as redes", disse, defendendo as redes como ferramenta para disputar a narrativa e as ruas como fator de pressão política em pautas consideradas populares.

Prefeitura de São Paulo

Questionado se pretende se candidatar à Prefeitura de São Paulo em 2028, disse que seu foco é ajudar Lula a fazer um mandato histórico.

Ele afirmou que o próximo governo pode ir além de um mandato de legado biográfico, por ser o último, e apontar os caminhos para os próximos 20 anos.

Janones

Ao comentar a estratégia de campanha, ele afirmou que o deputado federal André Janones (Rede-MG) cumpriu um "papel extraordinário" e elogiou a organização do "Exército do Lula".

Segundo o ministro, ele próprio atuou como coordenador de mobilização e disse que o grupo estimulou manifestações pelo País. "Nesse segundo turno, tivemos um processo de levante da sociedade além de qualquer liderança política, como não se via há muito tempo", declarou.

*Conteúdo produzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado


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