Ibovespa cai com temor fiscal e expectativa por balanço da Vale, além de queda em NY

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa pelo terceiro pregão seguido. O índice caiu 2,68%, aos 171.006,10 pontos, ainda ecoando temores fiscais

29/10/2026 às 11:54 atualizado por Maria Regina Silva - Estadão | Siga-nos no Google News
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A queda dos índices das bolsas norte-americanas e a cautela fiscal doméstica impedem o Ibovespa de subir, influenciado pela forte valorização do minério de ferro, de 2,4% em Dalian (China). O recuo ocorre apesar do crescimento na produção de óleo da Petrobras, embora o recuo do petróleo seja contraponto. Entre as divulgações no Brasil estão o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e dados fiscais.

 

A agenda internacional também agrega parcimônia. Depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deixou os juros inalterados, na véspera, conforme o esperado, investidores avaliam o Produto Interno Bruto (PIB), que mostrou alta de 3,4%, acima da esperada (3,2%) no terceiro trimestre.

 

Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,5% em setembro ante agosto. Na comparação anual, o PCE avançou 3,6% em setembro. Ambos vieram dentro do esperado.

 

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa pelo terceiro pregão seguido. O índice caiu 2,68%, aos 171.006,10 pontos, ainda ecoando temores fiscais. "Seria natural ver um pouco de correção, o mercado aproveitando alguns preços. Não vemos isso", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.

 

Segundo Oliveira, é crescente a preocupação de investidores em relação à condução das contas públicas na próxima gestão do governo reeleito. "O governo não está tratando os gastos com prioridade, mas só pensando em aumentar receitas, via IOF, por exemplo. Isso traz um sentimento ruim", diz. Além disso, a correção em Nova York, após altas das bolsas, reforça o ambiente desfavorável do Índice Bovespa, completa o sócio da Blue3.

 

O mercado está ansioso por sinais concretos do governo quanto à agenda econômica no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como nomes que comporão a equipe econômica, especialmente a Fazenda.

 

"Há um grau de incerteza elevado. Incerteza é a palavra do momento. O mercado aguarda novidades para melhorar, para estabilizar", reforça Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos.

 

De acordo com Santos, a espera de uma estabilização dos ativos decorre de um ajuste técnico, o que é visto como normal, depois de perdas, mas mais ainda da expectativa de sinais claros do governo sobre a política econômica, em especial a fiscal. "O mercado aguarda ansiosamente sinais de como o governo vai endereçar a pauta econômica, se será de forma mais técnica ou se será política. A condução da política fiscal nos últimos anos vem sendo conectada à política. É preciso uma mudança, mais técnica", afirma.

 

Relatos são de que o presidente não está com pressa e uma decisão não é esperada antes de dezembro. "A principal questão é que não vemos nenhuma medida concreta do governo para controlar os gastos públicos e estabilizar a divida", reforça Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management.

 

Conforme Oliveira, da Blue3, quando existe um vácuo de noticia, prevalece um sentimento de que nada será feito. "Se vier uma equipe econômica que fará um corte de gastos, será ótimo. Mas as sinalizações não vão nessa direção. A alíquota proposta de 11,3% para a a Contribuição sobre Bens e Serviços, CSBS, é pessima", diz.

 

Ontem, a Petrobras informou que alcançou um recorde de produção no terceiro trimestre de 2026, com 3,51 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O resultado foi 11,8% maior na comparação com igual período de 2025.

 

Após o fechamento da B3, a Vale divulga balanço do terceiro trimestre. Na média das estimativas do Prévias Broadcast, o lucro da mineradora deve somar US$ 1,58 bilhão, resultado 41% menor do que há um ano. Para o Ebitda, a projeção é de US$ 3,52 bilhões, 19% abaixo do registrado no terceiro trimestre de 2025. Já a receita líquida esperada, de US$ 10,31 bilhões, está em linha com os US$ 10,4 bilhões de um ano antes.

 

No exterior, os resultados frustrantes da Alphabet e da Samsung pressionam as ações do setor de tecnologia e estimulam a demanda por títulos do Tesouro dos EUA, cujas taxas recuam, cita em nota a 4Intelligence.

 

"O risco Brasil permanece elevado. Nesse contexto, o real deve continuar depreciado, enquanto os juros tendem a permanecer pressionados", completa a consultoria.

 

Às 11h45, o Ibovespa caía 0,3%, aos 170.493,65pontos ante mínima em 169.666,25 pontos (-0,78%), depois de ter avançado 0,23%, na máxima em 171.402,97 pontos, próximo da abertura (171.006,10).


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