Brasil reforça posição de fornecedor de alimentos de qualidade para o mundo durante a Sial Paris

ApexBrasil deu visibilidade a empresas de todos os portes no evento mostrando a origem dos produtos e promovendo o contato direto com compradores internacionais para a expansão dos negócios

26/10/2026 às 17:09 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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Mel, cafés especiais, castanhas, gim de jambu, umbu, cajá, maracujá do Cerrado, açaí e outros produtos brasileiros despertaram o interesse de compradores internacionais durante a SIAL Paris 2026, uma das principais feiras mundiais da indústria de alimentos, realizada de 17 a 21 de outubro, na capital francesa.

A delegação brasileira reuniu 156 empresas coordenadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e entidades setoriais, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), incluindo 14 cooperativas da agricultura familiar, que participaram pela primeira vez do evento, com expectativa de gerar cerca de US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e futuros.

Para o gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto, o Brasil mostra que tem condições de fornecer produtos para o mundo tanto de grandes empresas, quanto de pequenos produtores locais. Mais do que uma feira, SIAL Paris é uma grande plataforma de conexões, inovação, oportunidades e tendências que impulsionam futuro da alimentação.

As experiências na Sial Paris 2026 mostraram que tradição, biodiversidade, qualidade e organização coletiva podem impulsionar a presença brasileira no mercado global de alimentos. E o trabalho da ApexBrasil é apoiar essas empresas em sua jornada de internacionalização, para que elas possam ter cada vez mais relevância na corrente de comércio exterior do país.
Pedro Netto, gerente de Agronegócio da ApexBrasil

 

Brasil sinônimo de inovação

Entre os destaques brasileiros, a AMZ Tropical mostrou que o Brasil é celeiro de inovação ao vencer o prêmio SIAL Innovation Awards 2026 na categoria de bebidas. Foi a única empresa brasileira entre os 28 vencedores, com quatro drinques prontos inspirados na biodiversidade amazônica: Amazônico Negroni, Limoncello Amazônico, Fitzgerald Amazônico e gin de jambu versão COP30. Ao receber a premiação, o fundador da empresa, Leandro Daher, falou sobre a importância diferenciação de produtos brasileiros no mercado internacional. “Esse prêmio mostra que produtos da biodiversidade da Amazônia podem chegar a uma das maiores vitrines de alimentos e bebidas do mundo. A ApexBrasil esteve presente conosco nesse caminho, desde a nossa preparação para exportar até a oportunidade de estarmos na França apresentando nossos produtos”, agradeceu.

 

Proteínas brasileiras ampliam presença internacional

A participação brasileira também teve forte presença da proteína animal. A ABPA reuniu 25 empresas e cooperativas dos setores de aves, suínos e ovos em quatro espaços que somaram mais de 670 metros quadrados, com degustações e encontros comerciais. “A ação fortaleceu a promoção das marcas brasileiros em parceria com a ApexBrasil, e contribuiu para divulgar a qualidade dos nossos produtos”, afirmou Ricardo Santin, presidente da entidade.

A ABIEC reuniu 22 empresas da cadeia de carne bovina em um pavilhão de 600 metros quadrados. A iniciativa buscou fortalecer relações comerciais, prospectar clientes e ampliar as oportunidades de exportação para diversos mercados. Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, a feira foi uma oportunidade de promover o produto nacional. “Aqui pudemos estreitar o relacionamento com compradores internacionais e buscar alternativas para superar restrições impostas à proteína animal brasileira”, destacou.

 

Indústria e cooperativas na conquista de mercados

A participação no evento abriu perspectivas tanto para empresas brasileiras que já atuam no comércio exterior e estavam em busca de diversificação de mercados, quanto para os novatos na jornada da exportação. Um bom exemplo de indústria e cooperativa unidas para conquistar de mercados estrangeiros é a Eldorado Foods. Fundada há cerca de cinco anos, a indústria de derivados de mandioca e amidos modificados tem uma conexão direta com cooperativas da agricultura familiar. Segundo o sócio-proprietário, Ivan Klaus, 100% da matéria prima comprada para o beneficiamento vêm da agricultura familiar.

“Ao longo do evento fizemos aproximadamente 74 reuniões comerciais e acredito que, pelo menos metade destes contatos será transformada em negócio concreto”, comemorou. Com apoio da ApexBrasil, a empresa participou da feira em busca da diversificação de mercados. Atualmente, ela comercializa seus produtos em 22 países. “Estar em uma feira dessa dimensão com um espaço próprio e o respaldo da ApexBrasil fortaleceu nossa credibilidade diante dos compradores internacionais. Não se tratou apenas de estar no evento, mas de apresentar uma empresa preparada para exportar”, afirmou. A estimativa inicial da empresa é gerar entre US$ 300 mil e US$ 500 mil em negócios nos três meses seguintes, com potencial de superar US$ 1 milhão caso as negociações avancem. Entre os contatos estabelecidos estavam compradores da Europa, da África e dos Estados Unidos.

 

Agricultura familiar chegou à SIAL pela primeira vez preparada e com identidade própria

A internacionalização da agricultura familiar brasileira ganhou força na Sial Paris, com a participação inédita de 14 cooperativas que levaram ao mercado internacional não apenas seus produtos, mas também suas marcas, histórias e identidades. A iniciativa reuniu organizações de diferentes regiões do país, no âmbito do programa Cooperar para Exportar.  “Pela primeira vez, estivemos em uma feira internacional com a identidade da agricultura familiar. Antes, nossos produtos chegavam a granel, sem que a nossa história aparecesse. Aqui, o comprador encontrou o produto, conheceu quem estava por trás dele e entendeu de onde vinha”, explicou Fátima Torres, agricultora familiar do Rio Grande do Norte e presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Brasil), organização nacional criada em 2005 para representar e fortalecer cooperativas formadas por agricultores familiares e grupos ligados à economia solidária.

Para Fátima, estar na Sial Paris, com o apoio da ApexBrasil, foi um grande avanço na preparação das cooperativas para exportar com marcas, embalagens e identidade próprias. Segundo ela, durante a feira, foram feitos contatos e reuniões com compradores interessados em cafés especiais, vários tipos de mel, castanhas e geleias de frutas nativas, como a mangaba. “Não queríamos apenas vender o produto. Queríamos levar nossa identidade, nossa história e o valor de quem produz. Além de gerar renda para as comunidades, o aproveitamento dessas espécies pode contribuir para a valorização e a conservação dos ecossistemas brasileiros”, destacou.

 

Da Caatinga para novos mercados

Instalada no norte da Bahia, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (CooperCuc) encontrou na Sial Paris uma porta para mostrar ao mundo a qualidade dos alimentos produzidos a partir da biodiversidade da Caatinga. A organização é conhecida por transformar frutas como umbu e maracujá-da-caatinga em o beneficiamento de frutas nativas, como o umbu e o maracujá-da-caatinga, que só existem no Nordeste brasileiro, em doces, geleias, compotas, sucos e outros produtos, agregando valor à produção regional.

Embora exporte desde 2005, a cooperativa participou pela primeira vez da feira parisiense. A sócia-fundadora da CooperCuc, Jussara Dantas, conta que foi necessário passar por capacitações para adequar a apresentação dos produtos e a abordagem comercial junto a compradores internacionais. “A preparação começou bem antes da feira, com treinamentos e orientações da ApexBrasil, que nos ajudou a apresentar os produtos e a nos posicionar melhor no mercado externo. Sem essas parcerias, não conseguiríamos estar aqui.”, afirmou. Com cerca de 35 produtos no portfólio, a cooperativa avançou nas negociações com uma empresa do Reino Unido interessada em suas barrinhas de doce de umbu. “A expectativa é estabelecer um fornecimento regular e as tratativas devem seguir após o evento”, anunciou Jussara.

Ela aponta que a experiência neste evento mostrou que alimentos pouco conhecidos no exterior, como o próprio umbu, podem encontrar espaço em novos compradores quando há organização e preparação comercial. Para quem ainda tem receio ou acha que não consegue exportar, ela dá um conselho: “É possível colocar nossos produtos no mercado internacional. O caminho é se organizar, participar das formações e buscar parceiros como a ApexBrasil”, ressaltou, destacando que já havia participado do programa Exporta Mais e mais recentemente do ‘Cooperar para Exportar’.

 

Cooperação para ganhar escala

O presidente da Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil), Luciano Monteiro, defende que a internacionalização é um processo que deve passar pela união entre organizações. Segundo ela, a articulação apoiada pela ApexBrasil ajudou as cooperativas a compartilhar estruturas de beneficiamento, somar volumes e atender demandas que seriam difíceis de suprir individualmente. “Aprendemos que uma cooperativa não precisa fazer tudo sozinha. Quando nos conectamos, conseguimos reunir qualidade, volume e capacidade de entrega para atender mercados que antes pareciam distantes”, afirmou.

Segundo ele, esta integração permitiu a produção e ampliação da oferta passando de aproximadamente 20 para cerca de 100 produtos em mercados internacionais. Na Sial Paris, a cooperativa identificou o interesse de compradores em matérias-primas da biodiversidade brasileira. Entre os produtos estão castanhas, cafés, geleias e ingredientes destinados à indústria cosmética. O óleo de pequi foi um dos destaques da feira para ser vendido para em uso em dermocosméticos. “A ApexBrasil nos ajudou a enxergar que éramos uma rede capaz de atuar no mercado global. O que antes parecia um sonho distante começou a se tornar realidade por meio da cooperação e da preparação para exportar”, resumiu ele. 

A experiência reforçou o papel da intercooperação na internacionalização da agricultura familiar. “Ao somar capacidades, as organizações podem atender mais compradores e levar mais produtos de seus territórios a outros destinos”, afirmou confiante na perspectiva de fechar novos contratos em breve.

Durante cinco dias, a feira contou com mais de 300 mil visitantes de 190 países, 8 mil expositores, 15 mil encontros de negócios, 400 mil produtos apresentados, com destaque para os produtos brasileiros. Ao final, os participantes deixaram Paris com sabor de muitas oportunidades e aroma de grandes negócios pela frente.

 

Assessoria de Imprensa da ApexBrasil


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