Imea: crescimento da avicultura de MT amplia oportunidades, mas não supre toda a demanda externa após vetos a SC

Instituto aponta que diferença na escala das exportações limita capacidade de substituição dos embarques catarinenses após restrições comerciais motivadas por foco de doença de Newcastle

22/10/2026 às 17:12 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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Apesar de Mato Grosso ter registrado crescimento nas exportações de frango em mais de 24%, entre janeiro e setembro, o estado não conseguiria absorver integralmente, de forma imediata, a demanda internacional por carne de frango num eventual redirecionamento de Santa Catarina. A avaliação é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que analisou nesta quinta-feira (22) as diferenças entre os volumes de exportação dos dois estados, após restrições comerciais anunciadas por países importadores em decorrência do foco da doença de Newcastle.

 

De acordo com dados compilados pelo instituto, com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), durante o primeiro semestre de 2026, Mato Grosso produziu 224 mil toneladas de carne de aves e exportou 56 mil toneladas, o equivalente a 25% da produção estadual no período.

 

Já Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas para o mercado externo. Desse total, 121 mil toneladas tiveram como destino Chile, Hong Kong e China e México, mercados que aplicaram restrições aos produtos avícolas oriundos do estado catarinense.

 

Segundo Felipe Andrade, que acompanha os setores de leite, aves e suínos no Imea, a diferença de escala ajuda a explicar por que Mato Grosso não conseguiria substituir integralmente os embarques de Santa Catarina.

 

Para atender a uma demanda adicional dessa dimensão, seria necessário direcionar uma parcela maior da produção estadual ao mercado internacional, o que também dependeria da disponibilidade de produto e das condições operacionais das agroindústrias. “Hoje, cerca de 25% do que produzimos é enviado ao mercado externo, então não seria viável substituir integralmente os volumes catarinenses no curto prazo”, explica.

 

O Imea destaca que a produção mato-grossensse atende tanto ao mercado interno quanto ao externo. Por isso, manter um volume de produção semelhante ao do primeiro semestre não significa que haverá excedente suficiente para suprir toda a demanda eventualmente redirecionada de Santa Catarina.

 

“A possibilidade de ampliar os embarques também depende da capacidade de processamento e logística das empresas, dos contratos comerciais e das habilitações sanitárias exigidas pelos países importadores”, pontua Felipe.

 

Quais países já anunciaram restrições comerciais?

As medidas anunciadas por importadores após a confirmação do foco de Newcastle em Santa Catarina variam conforme o país e o alcance da restrição. China, Chile e Arábia Saudita limitaram as medidas aos produtos provenientes do estado catarinense a partir de quarta-feira (21). O cenário ocorre em um momento de crescimento das exportações mato-grossenses: de janeiro a setembro de 2026, o estado embarcou 90,12 mil toneladas de carne de frango, alta de 24,42% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

A Arábia Saudita foi o principal destino da carne de frango de Mato Grosso nos nove primeiros meses do ano, com 27,34 mil toneladas. Na sequência aparecem Hong Kong e China, considerados em conjunto, com 10,77 mil toneladas, e os Emirados Árabes Unidos, com 10,37 mil toneladas.

 

No caso do México, que anunciou a suspensão das importações de todos os produtos avícolas brasileiros, o impacto direto sobre as vendas mato-grossenses tende a ser menor. O país respondeu por 1,59% das exportações estaduais entre janeiro e setembro, com 1.437 toneladas embarcadas.

 

Mas e os riscos da doença?

A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta aves e pode provocar sintomas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e mortalidade. A enfermidade não representa risco significativo à saúde humana.

Segundo o assessor técnico de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos Carvalho, a vigilância contínua é essencial para preservar a sanidade dos plantéis e evitar prejuízos à atividade.

 

“Embora Mato Grosso não tenha registros recentes da doença, a vigilância precisa ser contínua. É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito”, orienta.

 

O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) informou na quarta-feira que, neste ano, foram coletadas amostras em 84 granjas comerciais no estado, mas todas com resultados negativos para Newcastle.

 

Em casos de mortalidade fora do padrão ou de sintomas respiratórios e neurológicos nas aves, a recomendação é notificar imediatamente o serviço veterinário oficial para investigação.

 

Informações: Sistema Famato - Jônatas Boni


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