A maior central sindical do Japão, a Japanese Trade Union Confederation (Rengo), anunciou que buscará mais um ano de reajustes salariais robustos nas negociações anuais de primavera do Hemisfério Norte, com o objetivo de ancorar o crescimento dos salários em meio à inflação persistente. Em estratégia preliminar divulgada nesta quinta-feira, 22, a Rengo disse que vai exigir aumentos de pelo menos 5% e está orientando sindicatos filiados a mirarem 6% como foco principal, tratando 5% como piso.
A entidade, que costuma ditar o tom das negociações salariais e influencia tendências nacionais - inclusive em pequenas empresas não sindicalizadas -, afirmou também que está adotando uma nova meta de médio prazo para reduzir a defasagem salarial do Japão em relação a outras economias avançadas e consolidar os ganhos obtidos recentemente.
Segundo a Rengo, a pressão sobre o poder de compra das famílias, vinda do iene fraco e dos custos elevados de energia, reforça a necessidade de salários acompanharem a inflação.
O tema é central para o Banco do Japão (BoJ, em inglês), que busca consolidar um ciclo "virtuoso" em que salários e preços subam de forma consistente, sustentando consumo e crescimento. Os salários reais, ajustados pela inflação, começaram a subir gradualmente em 2026 e avançaram 1,5% em agosto na comparação anual, mas a incerteza sobre a duração da guerra no Oriente Médio e os efeitos do choque do petróleo complica o cenário para empresas e para a economia japonesa.
A Rengo afirmou que um ritmo saudável para a economia exige inflação de 2% e crescimento real dos salários de ao menos 1%. Para Kenji Yamamoto, economista da Daiwa Securities, as negociações chegaram a um ponto crítico: a transição de grandes aumentos como um feito pontual para aumentos altos e recorrentes como base compartilhada por trabalhadores e empresas. Ele acrescentou que, para o BoJ, a questão-chave é se o impulso de alta salarial vai acelerar, se manter e espalhar pela economia.
A central, que representa cerca de 7 milhões de trabalhadores, disse que as negociações deste ano já resultaram no terceiro ano seguido de reajustes médios acima de 5%, mas argumentou que os salários japoneses ainda são baixos na comparação internacional. Em coletiva nesta semana, o dirigente Akira Nidaira afirmou que líderes empresariais precisam encarar a realidade do baixo nível salarial do país.
Como parte do novo marco, a Rengo definiu uma referência de salário mediano que incorpora aumento de 15% até 2030 e metas-base de remuneração mensal de 360 mil ienes (cerca de US$ 2.300) para um trabalhador de 35 anos e 340 mil ienes para um trabalhador de 30 anos. A organização afirmou que quer tirar o Japão do "último escalão" entre grandes economias até 2030. Fonte: Dow Jones Newswires.
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