O Ibovespa acentuou queda na tarde desta quarta-feira, 21, e fechou quase 3 mil pontos abaixo da máxima intradia, diante da cautela após pesquisa Quaest do dia mostrar disputa eleitoral mais acirrada. Como as alocações na renda variável mostram aposta majoritária de vitória da oposição - vista pelo mercado financeiro como mais fiscalista -, levantamentos que mostram ganhos à campanha petista desenrolam em ajustes de curto prazo, segundo operadores.
Assim, a Bolsa doméstica ignorou completamente a alta dos índices de Nova York e nem mesmo a virada das ações do petróleo Brent para o positivo no pregão eletrônico ajudaram o Ibovespa, vide Petrobras em baixa de 0,15% (ON) e 0,79% (PN). O índice cedeu 0,86%, aos 206.495,23 pontos, com giro financeiro de R$ 24,6 bilhões, após mínima aos 205.988,00 pontos à tarde e máxima (209.244,71) pela manhã.
A pesquisa Quaest divulgada nesta manhã mostrou que a vantagem do senador Flávio Bolsonaro diminuiu de 2 pontos porcentuais para 1 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 45% das intenções de voto para o candidato do PL versus 44% do petista. Também mostrou que a rejeição de Lula cedeu de 53% para 47%, queda mais brusca do que a oscilação de 54% a 52% para Flávio, dentro da margem de erro.
Para o economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia, o movimento reflete uma mistura entre cautela maior após a enquete e uma realização de lucros, aproveitando que o índice fechou na terça no segundo maior nível desde o primeiro turno. "O fato de a rejeição de Lula ter caído mais do que a de Flávio traz preocupações, principalmente porque começou na mídia um termo chamado de 'anti-bolsonarismo de chegada', que menciona que os votos brancos e nulos que se abstiveram podem eventualmente comparecer às urnas e votar em Lula", avalia.
O sócio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, avalia que o mercado está mais posicionado, no curto prazo, para a vitória de Flávio Bolsonaro. "Hoje está tendo mal estar, porque a pesquisa Quaest trouxe um cenário confuso."
Na tese do mercado financeiro, uma eventual reeleição de Lula diminuiria as chances de um ajuste fiscal crível. Para Junior, "é ilusão achar que Flávio vai fazer gestão fiscal dos sonhos", mas a expectativa é de que consiga convencer que irá endereçar as contas públicas num projeto de oito anos, de prazo mais longo.
"O Ibovespa, definitivamente e sem dúvida, está reagindo ao noticiário político. Os investidores estão se posicionando de acordo com as probabilidades de vermos as contas públicas brasileiras sendo ajustadas", afirma o head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier.
Fora Petrobras, entre as blue chips houve queda de 2% da Vale, apesar do minério de ferro perto da estabilidade, e as ações dos bancos operaram mistas, de -1,41% na Unit do BTG Pactual até alta de 0,90% para Unit do Santander Brasil.