Serasa: pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no 2ºtri

Entre produtores rurais pessoas jurídicas, a queda foi mais acentuada, de 34,2%, com 160 pedidos entre abril e junho, ante 243 no segundo trimestre de 2025

19/10/2026 às 12:37 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão | Siga-nos no Google News
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São Paulo, 19/10/2026 – O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% ante os 565 contabilizados no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira (19). O resultado interrompe uma sequência de três segundos trimestres consecutivos de alta, em 2023, 2024 e 2025, na série iniciada pela Serasa Experian em 2021. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando houve 474 pedidos, a queda foi de 5,5%. O indicador reúne produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio.

A Serasa, porém, recomenda cautela na interpretação dos números. “A retração neste segundo trimestre, registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. Segundo ele, custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento ainda mantêm o ambiente desafiador, e será necessário observar se a redução dos pedidos continuará nos próximos trimestres.

Entre os produtores rurais pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, queda de 10,5% ante os 220 do mesmo período de 2025. Apesar do recuo, esse grupo concentrou o maior número de solicitações entre os três perfis analisados. Mato Grosso liderou, com 49 pedidos, seguido por Goiás (46), Minas Gerais (23), São Paulo (22) e Paraná (16).

Ainda entre pessoas físicas, produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos. Segundo a Serasa, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos ligados à atividade rural. Grandes proprietários tiveram 51 solicitações; pequenos, 39; e médios, 37.

Entre produtores rurais pessoas jurídicas, a queda foi mais acentuada, de 34,2%, com 160 pedidos entre abril e junho, ante 243 no segundo trimestre de 2025. O cultivo de soja liderou as ocorrências nesse grupo, com 70 solicitações, seguido pela criação de bovinos, com 28. Cana-de-açúcar teve 15 pedidos; café, 13; e cereais, 12. Mato Grosso também liderou nesse recorte, com 54 registros, à frente de São Paulo (28), Goiás (22), Minas Gerais (21) e Paraná (15).

As empresas relacionadas à cadeia do agronegócio somaram 91 pedidos no segundo trimestre, 10,8% menos que os 102 registrados um ano antes. Serviços de apoio à agropecuária concentraram 26 ocorrências, seguidos pela agroindústria de transformação primária (20), comércio atacadista de produtos agropecuários primários (18) e revendedores de insumos agropecuários, excluindo máquinas (10).

No conjunto dos três perfis, Mato Grosso liderou o ranking estadual, com 107 pedidos, equivalentes a 23,9% do total. Goiás apareceu em seguida, com 84 solicitações (18,8%), seguido por São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins completaram os dez Estados com mais pedidos.

A Serasa informou ainda que utiliza modelos preditivos de inteligência artificial, como o Agro Score, para identificar sinais de deterioração financeira de produtores e empresas. Análises da empresa mostram que o Agro Score médio de produtores pessoas físicas que posteriormente pediram recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da solicitação. “A combinação de dados, inteligência artificial e modelos preditivos permite diferenciar os níveis de risco e tornar a concessão de crédito mais segura, sem restringir de maneira indiscriminada o acesso aos recursos necessários para o desenvolvimento do setor”, acrescentou Pimenta.

O indicador é elaborado a partir de levantamento trimestral de processos e de CPFs e CNPJs envolvidos em pedidos relacionados ao agronegócio, com base nas recuperações judiciais divulgadas pelos Tribunais de Justiça dos Estados. Um mesmo processo pode envolver participantes de mais de um grupo e, por isso, os números por perfil não devem ser somados para chegar ao total.


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