
São Paulo, 19 de outubro de 2026 - A primeira estimativa da Hedgepoint Global Markets para a safra brasileira de milho 2026/27 aponta para uma produção recorde de 146,5 milhões de toneladas, alta de 3,1% sobre as 142,1 milhões de toneladas da temporada 2025/26. A projeção é inicial, e a confirmação desse potencial dependerá das condições climáticas, conforme estudo de Luiz Fernando Roque, da área de Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint.
O aumento da produção deve vir principalmente da área plantada, que, pela estimativa, passará de 22,343 milhões de hectares em 2025/26 para 22,712 milhões de hectares em 2026/27 (+1,7%). A produtividade média das lavouras deve subir de 6.361 para 6.452 quilos por hectare (+1,4%), amparada especialmente em prováveis recuperações nas médias da segunda safra em Goiás e Minas Gerais.
Milho Brasil | Estimativa de Produção (M ton), Produtividade (ton/ha) e Área Plantada (M ha)
Fonte: Hedgepoint, USDA
Etanol puxa a demanda e exportações devem se recuperar
Pelo lado da demanda, o destaque é o consumo de milho para a fabricação de etanol, que deve avançar de 29 milhões de toneladas em 2025/26 para 34 milhões em 2026/27 (+17%), com novas usinas entrando em operação nos próximos meses e ao longo de 2027. Segundo o estudo, o aumento da mistura obrigatória para E32 favorece a expansão da produção, embora o novo percentual vigore de forma provisória, por 180 dias a partir de 1º de agosto. A Hedgepoint considera provável a prorrogação por mais 180 dias e aponta a possibilidade de adoção definitiva no primeiro semestre de 2027.
Nas exportações, a estimativa é de alta de 38 milhões de toneladas em 2025/26 para 41 milhões em 2026/27 (+8%). A projeção para a temporada atual foi reduzida recentemente, de 41 milhões para 38 milhões de toneladas, por causa do ritmo mais lento de embarques, que a Hedgepoint atribui à concorrência mais acirrada com a Argentina, que colheu safra recorde e tem preços mais competitivos, e à menor demanda do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos. O Irã foi o maior comprador de milho brasileiro em 2025, com cerca de 9 milhões de toneladas.
Milho | Brasil | Line up de Exportações, Mensal (M ton)
Fonte: Agências Marítimas, Hedgepoint
Segundo o levantamento de embarques apresentado no estudo, os volumes de agosto e setembro de 2026 foram de 5,1 e 5,4 milhões de toneladas, respectivamente, abaixo dos registrados nos mesmos meses de 2025.
A análise aponta que, caso o conflito persista, a redução das compras iranianas deve afetar os volumes exportados pelo Brasil em 2026 e resultar em estoques finais maiores na temporada 2025/26.
Estoques maiores podem pressionar preços no fim de 2026
A Hedgepoint estima estoques finais de 14,7 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 20,5% sobre os 12,2 milhões de 2024/25. Com o balanço de oferta e demanda confortável, a empresa alerta para possíveis pressões sobre os preços brasileiros nos últimos meses de 2026: o ritmo mais fraco de exportações tende a aumentar a disponibilidade de milho no mercado interno e pode pressionar as cotações nas principais praças de originação.
Para 2026/27, a projeção é de recuo de 14% nos estoques finais, para 12,6 milhões de toneladas. O número, porém, dependerá do desempenho das exportações, variável sensível à competição e à geopolítica, e do clima, que será determinante para a definição da produção.
Milho Brasil | Oferta e demanda (milhões de toneladas)
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Fonte: Hedgepoint
Informações: Hedgepoint Global Markets