Taxas de Juros têm firme alta na sessão com menor otimismo sobre vitória de Flávio

13/10/2026 às 18:13 atualizado por Arícia Martins - Estadão | Siga-nos no Google News
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Os juros futuros negociados na B3 deixaram para trás o rali observado na semana passada e operaram em firme alta, que chegou perto de 30 pontos-base nos trechos mais longos, na volta do feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida. Investidores diminuíram a exposição a risco em suas carteiras após pesquisas eleitorais terem mostrado empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula no segundo turno. O humor dos agentes também foi afetado por manifestações pró-esquerda mais fortes ao longo do feriado e pela sinalização de que a PEC que acaba com a escala 6x1 deve passar no Senado.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu de 12,524%, no ajuste de sexta-feira, para 12,750%. O DI para janeiro de 2029 anotou alta a 12,505%, vindo de 12,221% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 saltou de 12,231% a 12,515%.

Milhares de manifestantes se reuniram neste domingo na Avenida Paulista, em São Paulo, para declarar apoio à reeleição de Lula, que participou do ato. A campanha petista estima que um milhão de pessoas estiveram presentes, mas ainda não há dados de órgãos oficiais. Na segunda-feira, outra mobilização em prol de Lula ocupou cerca de 7 quarteirões na avenida Atlântica, em Copacabana. Também houveram atos em favor do petista em outras cidades, como Recife (PE) e Campinas (SP).

Já no campo das pesquisas, o levantamento da PoderData/AYA, publicado nesta terça, mostrou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos no segundo turno, ante 49% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 1,8 ponto porcentual, mas a vantagem de Flávio caiu de 6 pontos em 8 de outubro para 2 pontos agora. Na pesquisa BTG/Nexus, considerando apenas os votos válidos, o senador registra 52%, e o incumbente, 48%, também em empate técnico. A margem de erro é de 2 pontos.

Economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung afirma que as incertezas eleitorais influenciaram a abertura da curva de juros local, a despeito do quadro externo mais ameno, com ligeira queda do petróleo. A baixa da commodity, que fechou a sessão com perda de 0,9% no caso do Brent, enfraqueceu o dólar frente a pares e aliviou os rendimentos dos títulos soberanos dos EUA com prazo de 10 anos e 30 anos.

Já por aqui, diz Sung, as novas pesquisas apontando empate técnico, diferentemente das enquetes anteriores, em especial as da última semana, diminuíram o ânimo dos investidores. "A visão é que Flávio Bolsonaro possivelmente faça um ajuste fiscal um pouco maior, mais profundo e adote uma agenda mais liberal. E com isso o mercado tende a se animar mais", afirmou. Além disso, acrescenta, há realização de lucros por parte do mercado após o rali da semana passada.

Sob anonimato, um gestor de renda fixa de uma grande asset relatou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que diminuiu o risco em suas carteiras nesta volta do feriado. "O mercado andou muito, e as pesquisas estão voltando a dar empate técnico. Muito improvável virar, mas vai quê. A assimetria agora é para o outro lado", avaliou.

Outro fator mencionado por profissionais de renda fixa que elevou a aversão ao risco foi a PEC que prevê o fim da escala 6x1, que deve ser votada em primeiro turno nesta semana no Senado. O governo tenta acelerar a tramitação antes do segundo turno, enquanto Flávio declarou que votará a favor da pauta. "A discussão pode trazer incertezas sobre os custos trabalhistas, a produtividade e os efeitos sobre a inflação e as contas públicas", afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.


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