
A cesta de preços dos produtos e serviços tradicionalmente escolhidos como presentes no Dia das Crianças registrou deflação de 0,82% em 12 meses encerrados em setembro, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). A variação contrasta com a inflação de 3,92% apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no mesmo período.
Dentro da cesta, o grupo Produtos mostrou queda de 0,98%, com destaque para calçados infantis (-3,99%), bonecas (-2,66%), bicicletas (-2,53%), instrumentos musicais (-1,37%) e artigos esportivos (-0,98%), enquanto livros não didáticos avançaram 4,41% e computador e periféricos, +3,54%.
Já o grupo Serviços subiu 2,26%, puxado por doces e salgados (+6,91%), clube de recreação (6,49%) e refeições em bares e restaurantes (5,49%). Em contrapartida, cinema teve forte recuo, de 21,25%.
“Sem o efeito do cinema, a alimentação fora de casa e o lazer continuam subindo entre 4% e 7% ao ano, acima da inflação de 12 meses dos Produtos. Para o consumidor, o resultado é que, neste Dia das Crianças, o presente tende a pesar relativamente menos no bolso do que a experiência, como a alimentação fora de casa e o lazer”, afirma Matheus Dias, economista do FGV/Ibre responsável pelo levantamento, alertando que a pesquisa considera os preços até setembro e não captura possíveis variações de última hora na semana que antecede o Dia das Crianças.
Resultado reflete momento da economia
Segundo Dias, o resultado reflete o momento atual da economia. “Em quatro anos, os serviços subiram cerca de 18%, praticamente o mesmo que a inflação geral, enquanto os produtos subiram apenas cerca de 4%. Esse padrão é coerente com o peso que celulares possuem na cesta, item ainda bastante desejado, mas que consistentemente tem registrado quedas de preços nos últimos anos. O que equilibrou a queda dos aparelhos celulares foi justamente a alta intensa de livros e itens de vestuário”, diz.
O item Aparelho Eletrônico Celular teve variação negativa de 1,69% entre outubro de 2025 e setembro de 2026, enquanto roupas infantis caíram 0,21%.