Taxas de juros estendem rali e recuam na sessão com cenário eleitoral e exterior

06/10/2026 às 18:17 atualizado por Arícia Martins - Estadão | Siga-nos no Google News
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Os juros futuros negociados na B3 encontraram espaço nesta terça-feira, 6, para prolongar um pouco mais o rali observado na segunda-feira, quando derreteram mais de um ponto porcentual na ponta média e longa. A inesperada liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições sobre o presidente Lula tem levado mais players a abrirem posições aplicadas, visando uma redução do risco associada à questão fiscal. Agentes alertam, contudo, que as incertezas sobre as contas públicas ainda impedem uma queima maior da "gordura" nos contratos de Depósito Interfinanceiro (Dis).

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu levemente, de 13,41% no ajuste da véspera para 13,428%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 12,445%, vindo de 12,591%. O DI para janeiro de 2031 anotou baixa de 12,653% a 12,560%.

Embora as atenções dos investidores sigam concentradas no ambiente doméstico, a moderação da alta do petróleo e o consequente fechamento da curva dos Treasuries observados na sessão deram algum suporte à renda fixa local. Referência para a Petrobras, o barril do Brent para dezembro fechou com modesto avanço de 0,26%, em US$ 100,58, sob um jogo de forças entre as tensões crescentes no Oriente Médio e uma oferta global maior da commodity.

Por aqui, a gestora de renda fixa da Tivio Capital, Isabela Fukase, afirma que a euforia de segunda-feira seguiu ditando a curva de juros futuros, ainda que em menor intensidade, diante da surpresa positiva do mercado com a votação obtida por Flávio, de 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do incumbente. "Não era o cenário-base de ninguém. Só uma pesquisa mostrava isso, o restante não, e a surpresa levou a um rali nos ativos. Hoje segue esse movimento", disse.

Fukase observa, por outro lado, que as taxas parecem ter encontrado uma resistência para ceder mais do que o nível atual, de cerca de 12,50%. Em sua avaliação, esse piso está relacionado à percepção de que ainda há dúvidas sobre um ajuste fiscal mais austero, mesmo se houver alternância de poder em 2027. "Por mais que o mercado precifique 70% a 80% de chance de Flávio ganhar, ainda há um ceticismo sobre o que ele vai entregar no ano que vem. E só vamos ver a curva de juros fechando estruturalmente depois que houver um ajuste fiscal".

Ela destaca que, embora também tenham mostrado boa performance na segunda, as taxas das Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) fecharam menos do que os DIs, o que reforça que ainda há uma cautela dos investidores, a despeito do maior otimismo. "O juro real fechou entre 40 e 50 pontos-base. Foi um movimento forte, mas pode cair mais à medida que Flávio entregar um ajuste mais forte."

Até esta segunda, houve uma reprecificação muito rápida de um cenário que não estava totalmente nos preços, afirma o analista de renda fixa da Manchester Investimentos, Gustavo Danilo. Mas, daqui para frente, a persistência da queda dos juros vai depender mais "de confirmação". Segundo ele, pesquisas do segundo turno, sinalizações sobre política econômica e fiscal e os próximos dados de inflação passam a ter um peso maior agora.

"O próprio mercado já aumentou bastante a probabilidade de um novo corte da Selic na próxima reunião, mas o Banco Central ainda vem reforçando uma postura cautelosa e dependente dos dados", disse. No fim desta tarde, a curva futura apontava que a Selic vai encerrar este ano em 13,25%, segundo cálculos do banco Bmg - 0,50 ponto, portanto, abaixo do nível atual. Para 2027, a Selic terminal está precificada em 12,15%.


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