Metade dos bancos brasileiros que responderam à Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), prevê que a taxa Selic atinja o nível de 13,50% ao final deste ano, com a retomada do ciclo de cortes em março de 2027. A mediana das projeções indica um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic na reunião de novembro.
O restante dos respondentes se divide em 30% que não enxerga mais cortes em 2026 e 20% que espera o juro básico em 13,25% ao fim do ano ou menos.
O levantamento da Febraban é realizado a cada 45 dias, após as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), e nesta edição ouviu 20 instituições entre os dias 22 e 28 de setembro.
Em relação à atividade econômica de 2026, 45% dos participantes avaliam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer abaixo do consenso - de alta de 1,85%, conforme a última pesquisa Focus -, diante da desaceleração dos setores mais cíclicos. Já 40% dos respondentes ainda projetam expansão em linha com a estimativa de 1,85%, com estímulos fiscais e creditícios que tendem a compensar parcialmente os vetores de baixa.
A pesquisa também destacou a visão dos bancos sobre a inflação. Na comparação com pesquisa realizada em agosto, houve uma piora na percepção dos participantes quanto à dinâmica inflacionária: 50% avaliam que o IPCA deve ficar acima do consenso de 4,9% neste ano, em meio aos choques de oferta simultâneos. Outros 40% estimam IPCA em torno de 4,9% em 2026.
No cenário internacional, com a persistência da inflação acima da meta e a resiliência da atividade nos Estados Unidos, a maioria dos participantes (75%) espera uma nova elevação de 0,25 ponto porcentual dos juros pelo Federal Reserve até o fim do ano.
Crédito
A Febraban ainda apontou que a expectativa de crescimento para a carteira de crédito total neste ano é de 8,9%. Segundo o levantamento, o resultado reflete a alta projetada no avanço da carteira direcionada. Já para 2027, a expectativa de crescimento da carteira total é de 7,4%, também impulsionada pela alta da carteira direcionada.
O levantamento destaca que a expectativa para a inadimplência da carteira livre (PF+PJ) é de 6,1% em 2026 e 5,9% em 2027, sinalizando continuidade das pressões sobre o indicador, diante do elevado nível de endividamento das empresas e famílias.
Com relação à inadimplência das famílias, a percepção predominante (65%) é de que o indicador deve seguir em alta até o fim do ano. Por outro lado, 30% acreditam na estabilidade do indicador no nível atual.