O Ibovespa abriu a terça-feira, 6, em leve alta (+0,01%), em 206.924,61 pontos, e logo renovou máxima a 209.522,60 pontos (+1,26%), mas não sustentou o movimento. Há instantes, virou para o negativo, atingindo mínimas e perdendo o nível de 205 mil pontos.
A perda de fôlego é atribuída em parte a um ajuste após a disparada na véspera com o resultado primeiro turno da eleições, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No mercado, há expectativas de que, se eleito, o senador do PL adote uma postura menos expansionista.
"É mais um ajuste às médias, mas o movimento estrutural do Ibovespa ainda é de alta", diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos. "Se for eleito, há a possibilidade de Flávio Bolsonaro adotar uma política voltada à retomada do superávit primário no País, o que poderia derrubar os juros e ajudar a destravar o custo de capital das empresas", afirma.
Além disso, pesa no Ibovespa o recuo de cerca de 2% nas cotações do petróleo no exterior, em meio a sinais de alta nas exportações da commodity do Oriente Médio, em dia de agenda esvaziada de indicadores aqui e lá fora. Em Nova York, os índices das bolsas avançam, diante da ideia de menos pressão inflacionária em parte devido ao terceiro pregão seguido de recuo do petróleo.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 7,70%, a maior desde março de 2024, nos inéditos 206.911,89 pontos, após máxima em 209605.70 pontos.
A despeito do avanço na véspera, o Morgan Stanley vê espaço para o Índice Bovespa alcançar 250 mil pontos no curto prazo, o que representaria uma alta de cerca de 30% em relação ao nível anterior ao primeiro turno das eleições presidenciais.
Já o dólar caiu 4,12%, para R$ 5,0018, e os juros futuros recuaram mais de 100 pontos-base, alimentando expectativas de quedas na taxa Selic em novembro e dezembro de 2026 e em 2027. Hoje, os ativos dão continuidade ao movimento anterior.
"A curva de juros mostrou, em reais, quanto o País paga pela desconfiança sobre suas contas públicas e quanto pode economizar quando essa desconfiança diminui", afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo Rodrigo Moliterno head de renda variável da Veedha Investimentos, o recuo do dólar ante o real sugere vendas grandes nas mesas institucionais da divisa norte-americana, de estrangeiro entrando no Brasil. "Isso pressiona o dólar para baixo."
Agora, investidores ficam à espera de pesquisas eleitorais, que sairão na quinta-feira, para o segundo turno.
As atenções se voltam ao Senado, com a possibilidade do início das discussões da proposta do fim da escala 6x1, diz Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultora. No entanto, completa em nota, relatos na imprensa apontam dúvidas quanto ao avanço do tema neste momento.
Às 11h26, o Ibovespa caía 0,82%, aos 205.376,46 pontos, ante recuo de 1,01%, na mínima em 204.832,36 pontos, e máxima em 109.522,60 (+1,26%). Ente as ações de primeira linha, Vale cedia 1,81%, enquanto Petrobras recuava entre -2,71% (PN) e -1,75% (ON). No caso de bancos, só subiam Itaú (+1%) e Bradesco (+1,7%/ON e 2,43%/PN). O maior recuo da carteira era Banco do Brasil (-6,19%) e a maior alta, Azzas (+5,14%).