Fertilizantes/Anda: entregas caem 22,3% em julho; nitrogenados preocupam

05/10/2026 às 18:48 atualizado por Broadcast Agro - Estadão | Siga-nos no Google News
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São Paulo, 05/10 - As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho de 2026, queda de 22,3% ante igual mês de 2025, quando foram entregues 5,09 milhões de toneladas, informou a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). De janeiro a julho de 2026, as entregas totalizaram 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% em relação às 25,21 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. A Anda afirmou que, no primeiro trimestre, houve impacto positivo da boa safrinha de milho. As compras seguiram em ritmo normal no início do ano, mas, após o início da guerra no Irã, houve arrefecimento de novos negócios, movimento que começou a aparecer a partir de maio, com entregas menores, e que deve afetar o suprimento para a safra 2026/27. Mato Grosso, líder em entregas, concentrou 5,83 milhões de toneladas até julho, o equivalente a 25,4% do total. Na sequência aparecem: Paraná (2,60 milhões), Goiás (2,45 milhões), São Paulo (2,36 milhões), Rio Grande do Sul (1,70 milhão), Bahia (1,65 milhão) e Minas Gerais (1,64 milhão). A entidade acrescentou que o mercado brasileiro chegou à segunda quinzena de setembro com sinais de desaceleração na entrada de fertilizantes. Segundo a Anda, ritmo de importações, custo dos nutrientes, crédito e capacidade de compra do produtor são fatores relevantes no cenário atual. Setembro, afirmou, é particularmente importante, porque quanto menor o volume contratado e importado agora, maior a necessidade de monitorar estoques disponíveis para os próximos ciclos de aplicação. "O Brasil mantém perspectiva de safra elevada, mas entra no período crítico de compras de insumos com importações mais lentas, entregas domésticas em queda e menor poder de compra do produtor", disse. Nitrogenados Entre os nutrientes, os nitrogenados merecem atenção especial, segundo a Anda. Indicadores mostram que as importações de nitrogênio contido em ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio ficaram cerca de 20% abaixo do registrado nos oito primeiros meses de 2025. "Esse dado ganha importância porque a segunda metade do ano costuma concentrar aceleração das compras de nitrogenados, associada principalmente ao planejamento das próximas safras e às aplicações no milho", afirmou a entidade. A Anda destacou que, embora a safra brasileira siga em expansão, o que mantém a demanda estrutural, o que mudou foi a capacidade financeira e o momento da decisão de compra. "Se as importações continuarem abaixo do ritmo de 2025 enquanto a demanda agrícola acelerar, o mercado poderá entrar nos próximos meses com menor folga de estoque. Se, por outro lado, as cargas programadas forem efetivamente desembarcadas e as compras do produtor reagirem, parte dessa pressão poderá ser absorvida", avaliou. Produção nacional A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 517 mil toneladas em julho de 2026, queda de 19,9% ante julho de 2025. No acumulado de janeiro a julho, foram 3,34 milhões de toneladas, recuo de 19,7% ante igual período do ano passado (4,16 milhões de toneladas). "A queda se deve principalmente ao fato de o Brasil produzir fosfatados e o enxofre, insumo necessário para essa produção, vir registrando altas contínuas no mercado", disse a Anda. A entidade acrescentou que, apesar de esforços junto às empresas e de mudanças societárias ou retomadas de produção em ativos, nem toda a produção nacional foi capturada no período, particularmente a de ureia e de cloreto de potássio. As importações de fertilizantes intermediários totalizaram 3,54 milhões de toneladas em julho, queda de 21,4%. No acumulado de janeiro a julho de 2026, as importações somaram 21,23 milhões de toneladas, retração de 7,6% ante igual período de 2025 (22,98 milhões de toneladas). No porto de Paranaguá (PR), principal porta de entrada de adubos, ingressaram 5,40 milhões de toneladas de janeiro a julho, queda de 10,0% ante 2025, quando foram descarregadas 6,0 milhões de toneladas. O terminal respondeu por 25,4% do total importado pelos portos do País, segundo a Anda, com base em dados do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado de São Paulo (Siacesp) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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