O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, afirmou nesta segunda-feira, 5, que a recente alta dos preços de energia pode esfriar a demanda na zona do euro por diferentes canais, reduzindo a necessidade de novas elevações de juros para conter a inflação.
No mês passado, o BCE aumentou sua principal taxa de juros pela segunda vez desde o início da guerra entre os EUA e o Irã, no fim de fevereiro. Investidores esperam novos aumentos no custo do crédito após dados divulgados na semana passada mostrarem que a inflação da zona do euro atingiu o maior nível em três anos em setembro.
Em discurso, porém, Lane detalhou formas pelas quais a "segunda onda" do choque de oferta de energia pode desacelerar a economia do bloco, destacando a alta dos rendimentos de títulos soberanos de longo prazo como um "aperto material" das condições financeiras. "Se tudo o mais permanecer constante, esses canais de 'destruição de demanda' podem limitar o ajuste necessário na orientação da política monetária para assegurar a volta da inflação à meta no prazo adequado", disse.
Lane também reforçou comentários recentes da presidente do BCE, Christine Lagarde, de que a resposta de política monetária à alta dos preços de energia deve ser "comedida". "Continuamos no 'caminho do meio' da política monetária", afirmou.