
O apetite a risco guia os ativos brasileiros após o primeiro turno da eleição. Mesmo após a alta de 2,63% na sexta-feira, o Ibovespa abriu com valorização e testou níveis inéditos, diante da leitura de fortalecimento da direita e maior probabilidade de alternância de poder, com perspectiva de política fiscal menos expansionista.
O Índice Bovespa abriu em alta de 0,01%, em 192.137,63 pontos, e logo adotou uma sequência de máximas, alcançando 209.605,70 pontos (+9,10%), com valorização em quase toda a carteira teórica de 76 ativos.
"É um dia no mínimo agitado", diz Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Segundo ele, os investidores estavam precificando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, e não o contrário. Como há expectativa de que os votos dos outros candidatos a presidente migrem para o senador do PL, o mercados brasileiros estão "antecipando" uma vitória de Flávio, diz. "A vitória é mais provável de acontecer. Isso que o mercado antecipa", conforme Magno.
Em Nova York, o EWZ, principal ETF brasileiro, reforça esse bom humor, em semana de divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro e da ata da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), segundo Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.
Além disso, o Ibovespa futuro iniciou a sessão com ganhos de mais de 9%, aos inéditos 211 mil pontos.
A alta do Índice Bovespa ocorre em meio a um exterior moderado, com queda do Dow Jones, nos EUA, por exemplo, devido a uma indefinição quanto ao fim da guerra no Oriente Médio e a preocupações com juros elevados no mundo.
Após o payroll mostrar menos vagas de emprego nos EUA do que a esperada, hoje PMIs indicaram atividade aquecida. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços dos EUA subiu de 56,5 em agosto para 58,8 em setembro, segundo pesquisa final da S&P Global divulgada nesta segunda-feira. O resultado definitivo de setembro ficou ligeiramente acima da leitura preliminar, de 58,7, e da previsão de analistas, de 57,8. Já o PMI composto dos EUA, que engloba serviços e indústria, avançou de 56,0 para 58,4 no mesmo período, em linha com o cálculo inicial, mas acima do consenso, de 56,7.
No Brasil, ontem, o senador Flávio Bolsonaro terminou a primeira rodada eleitoral à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com vantagem de 2.224.965 votos, contrariando as pesquisas de intenção de voto divulgadas até a véspera. A disputa presidencial será decidida em segundo turno, no dia 25 de outubro. Uma eventual vitória de Flávio reforça a aposta do mercado em consolidação fiscal.
Conforme Bandeira, as urnas enviaram um importante sinal à direita, que precisa ser interpretado com seriedade pelos Três Poderes e pelos candidatos do segundo turno. Segundo o economista da Apimec, é preciso fazer cuidadosa leitura dos resultados, notadamente do Senado.
"O Senado elegeu mais políticos com de centro-direita, direita, eh, com perfil um pouco mais reformista. Isso tende a ajudar o fiscal, também podemos ter um Senado mais atuante no Supremo Tribunal Federal", avalia Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management.
Além disso, analistas dizem que é preciso esperar o início da campanha do segundo turno e os nomes que devem compor as equipes econômicas de cada governo.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos. Foi o maior nível desde 17 de abril, quando atingiu 192.888,96 pontos. Às 11h20, o Índice Bovespa subia 7,77%, aos inéditos 207.036,14 pontos.
"O mercado está mais otimista com o cenário eleitoral tanto de um Congresso mais à direita, quanto do Flávio ter ficado na frente do Lula", afirma Ian Lopes economista da Valor Investimentos.
Segundo ele, ainda tem muita coisa para acontecer até o segundo turno, no próximo dia 25, mas o mercado já precifica uma maioria da direita e uma eventual vitória do Flávio Bolsonaro.