
São Paulo, 05/10/2026 – A umidade do solo em Mato Grosso – abaixo da média durante praticamente todo setembro – deve se recuperar rapidamente no início deste mês de outubro, com o indicador podendo superar 31% e se aproximar da média histórica. A melhora, porém, pode ser temporária, com nova queda prevista nos dias seguintes, segundo análise da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite.
“Entre 22 de setembro e 1º de outubro, foram registradas chuvas sobre boa parte do Centro-Sul do País. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e partes de Mato Grosso e Goiás registraram volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo e o início da safra de soja e milho verão. Outras áreas de Mato Grosso e Goiás, porém, receberam volumes mais baixos, mantendo condições bastante heterogêneas”, afirmou o analista de culturas da EarthDaily Felippe Reis, em nota.
Segundo a empresa, a recuperação prevista em Mato Grosso é relevante para o plantio e o estabelecimento da soja 2026/27, mas a queda de umidade projetada na sequência mantém a necessidade de chuvas regulares ao longo de outubro para sustentar o avanço da safra. Para 7 de outubro, o modelo europeu ECMWF indica melhora expressiva das condições hídricas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Para os próximos dez dias, ECMWF e GFS apontam chuvas acima da média em grande parte do Centro-Sul, incluindo áreas relevantes de soja e milho. O cenário tende a favorecer o avanço do plantio da soja no Centro-Oeste.
“Os modelos, entretanto, apresentam diferenças importantes em relação às temperaturas. O ECMWF indica temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte das regiões produtoras, enquanto o GFS projeta anomalias positivas mais expressivas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso”, disse Reis.
De acordo com a EarthDaily, temperaturas mais amenas favoreceriam o aproveitamento das chuvas previstas. Já o cenário mais quente projetado pelo GFS aumentaria a demanda hídrica das lavouras e poderia retardar a melhora das condições nas áreas ainda sob déficit de umidade.
No Matopiba – região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – as chuvas acumuladas desde meados de setembro seguem abaixo da média histórica, apesar do aumento das precipitações no fim do mês. Maranhão e Piauí têm áreas com chuva acima da média, enquanto Tocantins e Bahia registram condições predominantemente mais secas do que o normal.
A incerteza permanece para as próximas duas semanas. O ECMWF projeta cerca de 49 milímetros de chuva no Matopiba, próximo da média histórica (51 milímetros), enquanto o GFS prevê cerca de 29 milímetros. Segundo a EarthDaily, a confirmação do cenário mais úmido favoreceria a recuperação da umidade do solo e o avanço do plantio da soja. No cenário mais seco, limitações hídricas podem continuar restringindo o ritmo de semeadura em parte da região.
No Sul, o quadro é distinto. Paraná e partes do Rio Grande do Sul apresentam umidade do solo acima da média, condição favorável ao estabelecimento da safra de verão. Para o trigo, no entanto, a persistência de solos muito úmidos é fator de risco, principalmente para lavouras em maturação e colheita. As chuvas se intensificaram nas últimas semanas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e o volume acumulado desde o início de agosto já está bem acima da média histórica. Segundo o ECMWF, o acumulado pode se aproximar de 600 milímetros até meados de outubro, ampliando o excesso em relação aos últimos anos.