
São Paulo (SP), 2 de outubro de 2026 – O desafio energético das próximas décadas não será escolher uma fonte em detrimento de outra, mas produzir energia suficiente para sustentar o crescimento econômico e tecnológico, com todas as fontes disponíveis sendo utilizadas. A avaliação é do piloto Lucas di Grassi, campeão mundial de Fórmula E, que participou nesta quinta-feira, 2, de um bate-papo no GAFFFF, no Nubank Parque, em São Paulo, que contou com a participação de Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP, Inc., e Guilherme Nastari, diretor de Comunicações e Eventos da DATAGRO.
Para di Grassi, o termo “transição energética” já não traduz o tamanho do desafio. “O que a gente tem que falar agora é de expansão energética”, afirma. Segundo ele, etanol, energia solar, gás, nuclear e outras fontes serão necessárias simultaneamente para atender à demanda futura. “O nosso gargalo de expansão da espécie humana é a produção energética”, diz o piloto, que correu por 12 anos na Fórmula E e conquistou os títulos mundiais de 2016 e 2017 pela Audi.
A expansão da oferta de energia também está diretamente ligada ao futuro da mobilidade. Di Grassi destaca o avanço dos veículos elétricos e considera que a escolha da tecnologia deve levar em conta a rotina de cada consumidor. "O consumidor final pode escolher o que faz mais sentido para ele. Se em uma cidade não tem carregador de carro elétrico, talvez ele não precise de um híbrido e possa ter um a combustão. Se ele roda de dez a 20 quilômetros por dia, um carro elétrico precisará ser carregado uma vez por semana e vai custar bem menos para ele do que encher o tanque", comenta.
O piloto também ressalta que a eletrificação não está avançando apenas por questões ambientais. Segundo ele, o menor custo por quilômetro e a redução da necessidade de manutenção estão entre os fatores que ajudam a explicar a adoção dos elétricos, inclusive por motoristas de aplicativo. “Tem menos peças móveis e manutenção, a energia se carrega em qualquer canto, a bateria hoje dura mais de dez anos, não tem câmbio, não precisa trocar pastilha de freio nunca, tem uma série de benefícios", defende.
Outro avanço discutido foi a automação. Di Grassi afirmou que veículos autônomos podem reduzir custos e aumentar a segurança do transporte, especialmente em operações com trajetos definidos. No Brasil, segundo ele, aplicações como ônibus em corredores específicos podem avançar antes da automação completa de carros particulares, que deve levar mais tempo para acorrer.
Para o piloto, o país também precisa acelerar a incorporação de tecnologias para aumentar sua competitividade global. Ele citou inteligência artificial e manufatura aditiva e destacou vantagens brasileiras como a matriz energética de baixa emissão, disponibilidade de território, mão de obra, capacidade de adaptação e força do agronegócio. “O Brasil tem um potencial muito alto, mas está muito atrasado”, declara.
Sobre o evento
Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF reúne conteúdo, negócios, gastronomia e entretenimento com o objetivo de aproximar o agronegócio da população urbana e discutir temas estratégicos para o setor. A edição deste ano contará com 230 empresas apoiadoras e expositoras. Terá cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países. Também há um espaço dedicado a esportes equestres e rodeio, além da Arena Fogo, com restaurantes com culinária ligada ao campo e produtores artesanais, e shows de Edson & Hudson, Rionegro & Solimões e Fiduma & Jeca. Outra novidade será a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento pós-evento que reunirá as principais conclusões dos debates.
Informações: Assessoria DATAGRO